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segunda-feira, 28 de junho de 2004

Die biographie der Frau Trockenthal

Anke Feuchtenberger
Jochen; 1999

Se bem percebi - porque está em alemão - este livro é uma espécie de catálogo ou um portfolio dos cartazes feitos pela Anke Feuchtenberger entre 1990 e 1997. Para quem não a conhece deve ter estado a dormir nos últimos 7 anos (ou mais) pois é dos(as) poucos(as) autores(as) da Alemanha que Portugal teve a felicidade de conhecer, fosse em publicações como o Azul BD3 ou no Quadrado, fosse pelos os seus magníficos originais expostos no Salão Lisboa 2003. Mas voltando ao livro, o que temos é uma apresentação fora do vulgar, para já, a Frau Trockenthal é um trocadilho de Anke Feutchenberger (que quer dizer "montanha do fogo" creio por isso Trockenthal deverá ser "vale de água"... mas como não tenho a certeza não levem isto como garantido!), e o livro é uma biografia da Frau... o engraçado como já vos disse, o que existe são vários cartazes (belíssimos) da Anke reproduzidos e acompanhados por comentários que ditam essa "biografia".
Um livro bem bonito. Quase esgotado provavelmente (pelo menos a editora original faliu), quando o apanharem não o larguem! Creio que a Reprodukt deverá ter uma reedição.

4,5

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A Norte tudo de novo...


Como já tinha referido aqui, a autora alemã Anke Feuchtenberger criou com o seu marido Stefano Ricci uma editora, a Mami, onde têm publicado trabalhos seus e também de alunos da Faculdade de Hamburgo onde Anke ministra um curso de ilustração e bd. Sem grande informação na Internet - e sem tempo para grandes discursos - escrevo apenas que chegaram Ich weiß de Birgit Weyhe e CandieColouredClown de Jul Gordon, belas edições: boas encadernações, boa escolha de papel e trabalhos de bd com impacto à primeira vista. O problema é que é preciso saber alemão para poder apreciar a primeira e 50% da segunda (algumas bd's estão em inglês)...


S! (com uma "coisa-acento" no "s") é uma mini-revista que era o Kus (que também tinha algo no "s"), novo conceito para tempos de crise, ou seja, reduziu-se para um formato A5 super-simpático completamente a cores onde convivem autores nacionais (continuando a Anete Melece a ser a autora mais interessante) e estrangeiros como Emilie Östergren (Suécia), Henning Wagenbreth (Alemanha - alguém se lembra do Salão Lisboa 2003?), Bendik Kaltenborn (Noruega) ou Nicolene Louw (África do Sul)... Sairam dois números entre Outubro 2008 e Fevereiro 2009.



Passados 10 números e 12 anos de actividade editorial, Tommi Musturi - um dos muitos autores de bd da Finlândia com talento e voz própria - cansou-se de editar o Glömp, projecto que começou como zine e passou a antologia. Como explicou quando esteve , para se despedir do projecto tinha de fazer algo de especial daí que GlömpX (Huuda Huuda; 2009) seja um livro saudávelmente pretensioso, querendo ser um marco na história das antologias de bd - o editorial do livro não deixa dúvidas em relação a isso fazendo um breve resumo dessa história. Apresenta-se em capa dura, todo a cores, com um CD banda sonora (Fricara Pacchu, Amon Düde & The Hoppo, Kiiskinen e Nuslux), e sobretudo e o que importa, um conceito de querer publicar e expor "narrativas em três dimensões". Ou seja, fugindo do tradicional "lápis + caneta sobre papel" (embora também haja situações dessas em alguns trabalhos), criaram-se bd's plasticamente diferentes do tradicional. Por exemplo, Hanneriina Moisseinen fez uma bd em bordados. Na exposição é preciso entrar numa tenda para poder ler a dita cuja - como poderam ver os que visiram a exposição que esteve patente na Bedeteca de Lisboa. Katri Sipiläinen criou um ambiente-escultura com alguns bonecos, esse ambiente fotografado tem uma carga cinematográfica e dramática fortíssima depois de composto em páginas de bd. Outras bd's são interactivas como a de Roope Eronen cujas tiras de bd podem ser lidas de formas diferentes com um sistema rotativo de paralelepipedos numa caixa - no livro, o autor (e o editor) oferece a hipótese (remota) de destruirmos o livro para recriarmos esses paralelepidos. Talvez nem tudo o que é apresentado na exposição seja competente - claro que não poderia ser - mas comparando com um projecto idêntico do passado, o Zalão de Danda Besenhada, os finlandeses sobretudo não se esqueceram de uma coisa, a bd no final é sempre transmitida via livro ou papel. E é aqui que não há falhas, o GlömpX merece um glorioso epitáfio na História da BD.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Angoulême report / (muito) devagarinho...


Quem da CCC foi este ano de Angoulême ainda não se recuperou da viagem de 13 horas de carro de regresso... Por isso, a reportagem anda a passo de caracol.
Começamos com uma fotografia tirada à socapa a um quadro (absolutamente maravilhoso!) da alemã Anke Feuchtenberger, autora que estará em Março, no Porto, no novo evento MAB. O quadro estava patente na exposição Une autre histoire : bande dessinée, l'ouvre peint, no Museu da BD, dedica às relações entre a bd e a pintura. Tema curioso e abordado sobre o prisma europeu, cujo único senão era forma de disposição das obras. O museu não tinha condições para expor arte de grande formato, como acontece com telas de pintura, ficando tudo um bocado encafuado...



No antigo CNBDI (agora Bâtiment Castro) que alberga a Bedeteca de Angoulême, estava a exposição de retrospectiva de Art Spiegelman, o homem que mudou os paradigmas da bd umas duas ou três vezes. Desde os seus primeiros passos como ilustrador de trading cards como no movimento "underground" dos anos 60 e 70, da revista Raw ao Maus, passando pelo 11 de Setembro até ao seu trabalho gráfico na New Yorker, estava representada a sua carreira por completo. Algo que já merece uma deslocação a Angoulême caso Spiegelman não tivesse também criado uma exposição da sua colecção particular de originais de bd, que faziam uma "História dos Comics" no Museu da BD.
Depois deste ano, acho que não é preciso ver mais exposições de bd, afinal tudo o que é de se respeitar estava lá representado: Harvey Kurtzman, bds da EC Comics, originais da Raw (Gary Panter, Charles Burns, a bd Here de Richard McGuire, etc...), tiras e pranchas do príncipio do século XX,... e a joía da coroa: os originais "perdidos" de Binky Brown Meets the Holy Virgin Mary, de Justin Green, a primeira bd autobiográfica norte-americana.
Voltando ao "CNBDI-Castro" havia uma exposição de "BD Sueca" (assim mesmo divulgada) mas que não passava de uma colectiva de seis autores suecos. A Sociedade de BD Sueca, nossa parceira do Futuro Primitivo que nos perdoe, mas esta foi a pior exposição que já tenha visto em Angoulême em 10 anos que lá vou. Até a bd norueguesa está a ser melhor promovida.


Dizia que afinal não haveria mais exposições de bd para ver? Eis que apesar de tudo aparece uma surpresa ou outra em Angoulême, neste caso era a de Vincent Sardon, no Teatro Municipal, que mostrava os seus "originais" - carimbos que usa para fazer ilustrações.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Canicola numero quattro

Colectivo Canicola, Out'06

Não é à toa que esta revista tenha recebido o Prémio de Melhor Fanzine / BD Alternativa... Já várias vezes referida neste blogue, este último número engrossou a quantidade de páginas (por culpa?) da sua abertura às colaborações "estrangeiras" - à nacionalidade do projecto como às do colectivo - como Anders Nilsen (autor também da capa), Chi Hoi, Marko Turunen (com a sua companheira Annemari Hietanen), Yan Cong e Jesse Moynihan... e passou a ter uma lombada brochada sem peder a coerência estética dos primeiros três números.
Se o Glömp e as cores histérico-psicadélicas finlandesas revelam um dos caminhos da bd deste novo milénio, o seu contraponto é a sujidade do grafite do lápis que a Canicola nos tem mostrado. Não será à toa que um dos desenhos publicados neste número é da alemã Anke Feuchtenberger, uma autora bastante influente na cena europeia, sobretudo nos últimos anos com a renovação do seu trabalho a grafite (que foi visto no saudoso Salão Lisboa 2003) e como professora de ilustração na universidade de Hamburgo.
O elo comum de quase todas as histórias é uma desorientação dos personagens quer sejam eles idiotas, passáros, empregados de bar ou de um estúdio de bd, soldados, elfos ou crianças, que habitam em cenários com tragos de surrealismo. Diria que serão metáforas fascinantes para o mundo que vivemos.

4,6

à venda na CCC, bem como os números 2 e 3. #2 e 3 a 10€ cada, #4 a 18€. Desconto de 20% para sócios.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Dada dada dada


A Daada Books é a "label" do finlandês Marko Turunen, inicialmente criada para publicar trabalhos seus, tendo pouco a pouco investido em outros autores como Katja Tukiainen ou os alemães Anke Feuchtenberger e Martin tom Dieck.
Em 2009, Turunen desistiu na sua editora, em parte desiludido com as vendas fracas destes autores fortes mas "difíceis". Tanto que o terceiro volume da série Ufoja Lahdessa já era publicado por outra editora. Passado um ano, a Daada volta e regressa aos trabalhos de Turunen com dois volumes de Der Round e o quarto volume de Ufoja (no prelo). Der Round são livrinhos A6 que dão a entender duas continuações do trabalho de Turunen, por um lado a exploração autobiográfica e iconoclasta que nos habituou com as desaventuras de "Alien" (seu alter-ego), só que desta vez Turunen usa "Der Round", o polícia do futuro que parece saído das bd's de Kevin O'Neill; por outro, explora bd's parvitas com animais ou seres antropomorfizados em situações mundanas, ou seja, temas que também já explorou no passado e que poderão ser vistos na antologia Supernormal. Nada de novo excepto pelo facto que o trabalho continua a ser único e atraente.
Entretanto o regresso da Daada também significa a publicação de trabalhos de alunos de Turunen. São livrinhos de putos com pouco mais de 20 anos cheios de vícios da idade: Manga, humor, animalitos e afins... Tudo muito verde e com pouco sumo, excepto Slaagi de Mikko Luostarinen, verdadeira ofensa visual e mental que parece um mau-híbrido entre o Mike Diana (o naíf, a violência) e Tommi Musturi (o virtuosimo, o psicadelismo). É uma antologia de trabalhos em que a melhor estória passa-se quando um grupo de skinheads ao cair num vórtice espacio-temporal vão parar algures a África subsariana...




Apesar do interesse muito relativo destes livros, são sobretudo uma forma simpática de publicar novos autores e de os lançar à praça pública. Seria bom ver o mesmo a acontecer com os alunos dos cursos de bd em Portugal, ao menos saberiamos que existem autores a sairem desses sítios... mas se calhar não existem autores novos nesses cursos. A sensação que tenho, especialmente depois de sair o Destruição é que na bd portuguesa não serve de nada haver cursos de bd, os autores continuam a construir-se nas margens do(s) sistema(s). Se a bd é marginal em relação às outras artes, é curioso reparar que é nessa mesma marginalidade que reside a sua maior força criativa. O que aliás, não é novidade nenhuma, são sempre nas margens que se encontram as obras interessantes e originais - seja na música, seja no cinema, etc... porque razão haveria de ser diferente na bd?