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quarta-feira, 25 de março de 2009

Sobreviventes do Furacão Mitra acaba com WHIT


28 de MARÇO - Festa de Encerramento da exposição

Sobreviventes do Furacão Mitra

com concerto dos WHIT, às 18h

na CHILI - Rua dos Fanqueiros, 174, 1ºesq. Lisboa

A 10 Dezembro de 2008, o infame FURACÃO MITRA passou com uma extraordinária velocidade por Lisboa e com ele trouxe uma gigantesca exposição colectiva de 37 artistas e, exposições individuais de Mike Diana (EUA), Fábio Zimbres (Brasil), Filipe Abranches, Carlos Sousa & Nuno Pinheiro, assim como o Festival Rajada Famélica e uma edição da Feira Laica. A poucos dias do Natal, e já com os ventos a soprarem com normalidade, conseguiu-se então contabilizar o arrasamento, cuidar dos feridos e iniciar a inglória tarefa de reedificação da Interpress, local onde o vórtice do furacão espalhou maior devastação. Enquanto que alguns tiveram o infortúnio de serem arrastados para terras longínquas, outros congregam-se aqui ilesos do assolamento...

Sobreviventes do Furacão Mitra

é uma exposição que conta com trabalhos de André Lemos, Bruno Borges, Filipe Abranches, João Maio Pinto, João Chambel, Jucifer, Rafael Gouveia e Ricardo Martins, sendo uma selecção de trabalhos mostrados no extinto FURACÃO MITRA.
Tal como na inauguração de dia 28 de Fevereiro, tragam mais cobertores, cartões de crédito e outros bens de primeira necessidade para os sobreviventes, sff

Axima Bruta, RP da CHILI

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Mitra sound baby 2

Segunda semana do Furacão e mais umas surpresas porreiras da edição nacional alternativa!

A começar pelos Löbo e o seu CD-R de apresentação Dânaca (ed. autor; 2008) com um tema apenas de 16m. Tocaram numa noite do Mitra mostrando que vão pelos ambientes Neo-Doom recentemente popularizados pelos Earth e Sunn0))) e pelas superfícies planantes (da treta) do Post Metal. A vantagem dos Löbo é que não dão tretas como temos assistido às milhares de bandas instrumentais que tem aparecido - portuguesas ou não. Aqui a estória é outra, a cena é mesmo para ser "Dark Attack" sem tretas pseudo-sensíveis da moda e secas monumentais. E ainda por cima gravaram bem a música. A acompanhar, sem sombras de dúvida!
Um dos elementos dos Löbo, o baterista, faz parte dos The Youths, banda punkoíde que tem um EP vinil 7" ntitulado Generationless (Regulator + SxHxOx; 2007). São cinco músicas abrir de Punk / Core cheio de energia, energia essa que me passa ao lado porque há anos que não consigo ouvir as infinitas variações autofágicas do Punk e Hardcore. É nitidamente "teeny-boopy" em que conseguem dizer barbaridades não lá muito pensadas, como por exemplo, na música Suicide City que se refere a Lisboa (uma das mais belas cidades da Europa embora seja verdade que lhe falte o "verde") dizem que as miúdas de Lx são feias - tentem Coimbra ou Peniche para ver o que são chavalas feias, seus idiotitas! E já agora, a cidade portuguesa com maior taxa de suicídios é Setúbal... de onde são os Löbo! «Sorry, but no cigar!» mas ao menos a banda não tem aquela voz merdosa de gata com o cio como a dos Vicious 5. Falta dizer que a poderosa capa e design do disco é da autoria de Manuel Donada, que participou na colectiva Furacão Mitra e é baterista dos "muy" divertidos Grabba Grabba Tape. Já sabem, não julguem um disco pela capa...


Na edição natalixa da Feira Laica (a finalizar o Furacão Mitra) apareceu mais uma nova produção do Filipe Leote desta vez com um CD-R intitulado Radio CD (F.Leote; 2008) que oferecia um... rádio! Exacto, nestes estranhos dias em que a música se desmaterializa a olhos vistos, também há o caminho inverso, ou seja, quem estime o objecto raro (como uma obra de arte massificada ou não). Daí que o vinil esteja a voltar ou alguns CD's tenham embalagens cada vez mais extravagantes. Neste caso, o gozo é outro, Leote pegou em vários rádios que recebeu (?) e gravou um CD-R de 25m com uma colagem de várias peças envolta da rádio, a maior parte delas vindas da revista sobre multimedia, Resonance, mas também de outras fontes como os Negativland. De forma geral, soa aquilo o que se espera do tema, transmissões de rádio a serem saltitadas intercaladas com sons de interferência num típico jogo de experimentação sónica não muito radical. O rádio que me fez comprar o CD-R é bem giro. O Sr. Leote já fez melhor...

Para acabar, as edições da Skinpin Records que também apareceram na Laica. São CD-R's com capa impressa e geralmente ilustradas - como deveria ser regra de ouro em todas as edições fonográficas. Apneia (2008) é dos Musgo uma dupla - pelo menos até este disco gravado em 2006, acho que agora já são um trio. Dizia, que é uma dupla que faz música ambiental dronesca usando muita electrónica mas também analógico e orgânico como por exemplo uma bateria. Há algo de aquático nestes sons que flutuam pelos 50 e tal minutos de duração. Depois de ouvir a nada desagradável música, pouco fica na cabeça. Porque será? Fica a capa que talvez por nada ter haver com água seja mais memorável...

Os Ideas for Muscles lançaram o segundo "opus" intitulado Misuse of muscle's appliance (2008 - edição online pela Merzbau) que mais uma vez tem uma excelente capa de Paulo Bento. Nas notas de imprensa que fui encontrando dizem que os IFM neste disco decidiram inverter o processo do primeiro EP, ou seja, sujar as "músicas-canções" - apesar desse EP estar cá incluído. Mais caótico? Sem dúvida. Melhorou? Apesar de tudo não consigo detectar diferenças - seja como for a banda já é "melhor" do que a maior parte das porras que andam por aí. Até os títulos das músicas são fixes: Hostage's dialect ou Hands off my booze motherfucker! (que lembra os "nipo-homeless" Ultra Bidé). Fuck Portugal I got Ideas but Mitra's over!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Feira Mitra AMANHÃ!!!

[cartaz de Luís Henriques]

Vai haver uma Feira Laica AMANHÃ durante o evento Furacão Mitra.
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Editores presentes:
Averno, fanzine Alçapão - fanzine de arquitectura dura, Associação Chili Com Carne, jornal Coice de Mula, discos F.Leote, GAIA - Centro de Convergência, fanzine O Hábito Faz o Monstro, Imprensa Canalha, Mike Goes West, MMMNNNRRRG (com o autor norte-americano Mike Diana), Opuntia Books, Os Gajos da Mula, [R]eject'zine, Serrote (com a autora Maria João Worm), Thisco e Via Óptima.
...
Novidades Editoriais:
- Blues Control
de Pedro Lourenço (Imprensa Canalha);
- Dois cartazes da colecção Checkpoint de Mike Diana (Mike Goes West)
- Desenho de André Lemos e Luís Henriques em serigrafia (Mike Goes West)
- Embroidered Muscles de André Lemos (Opuntia Books)
- Colecção de Postais, vários autores (Os Gajos da Mula)
- Puta prateada, de Jucifer, col. Comércio Tradicional (Mike Goes West)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Há males que vêm por bem

O Mike Diana cehegava a Lisboa na Terça-Feira às 8h10. Cheguei lá às 8h, o monitor avisava que o avião já tinha chegado - «espero que ele não tenha já saído!»... qual quê, duas horas e meia depois aparece o Diana com uma mala pequena numa mão e um papel A4 noutra - «they lost my other bag». E com isso a exposição SUGARFANG a inaugurar no Furacão Mitra na Quarta-Feira passada. E nos dias dos "low-costs" pouco interessa se o passageiro fique dois dias sem a sua bagagem, afinal as pessoas alimentam-se de ar e sol... Só dois dias depois é que Diana recebeu a bagagem que também incluia uma série de livros e DVD's de sua criação. Então e o que aconteceu no dia da inauguração?
A organização fez impressões de algumas bd's suas, pediram originais de privados, Diana pegou na tinta branca e pintou em cartões pretos que havia para lá. Ninguém reparou no problema... porque deixou de haver problema! Apesar de improvisada era uma exposição!
Na brincadeira fala-se que tiveram duas exposições e que a "actual" patente até dia 20 é a "Superfang II". Quem pensava que o Furacão seria só para visitar uma vez, engana-se... Vale a pena regressar ao Mitra!

Outra surpresa (esta mais positiva sem dúvida!) foram os mini-zines que o brasileiro Fábio Zimbres enviou para oferecer/trocar/vender - muito sinceramente, aproveitem antes que esgotem!
São vários mini-zines de 16 páginas A6 retirados de diários de viagem do autor com pedaços da vida, alucinações a darem linguados ao brutismo, mutantes vaidosos e muitos aviões pelo Brasil e América do Sul. No fim de contas há várias formas de estar num avião... desde que a mala não esteja sempre a desaparecer.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ceci n'est pas un editorial pour Destruction

Costuma-se dizer que nos anos zero dos séculos (e dos milénios) não costuma "acontecer nada" que marque a História. Engane-se aquele quem quiser ser enganado porque pelos menos desta vez, os dez primeiros anos do Novo Milénio foram cheios de acontecimentos trágicos e geradores de paradigmas. Invés de acabar com um “bang” começou-se antes com dois "bangs", o 11 de Setembro, que serviu de mote para muito do que veio depois como a gradual perda dos Direitos Civis, sobretudo no campo da privacidade, sempre com desculpas de questões de segurança.

A Cultura tem vindo a desmaterializar-se para formatos digitais e democratizado - quem pensaria que hoje pudessemos ouvir raridades dos antípodas com um clique de rato - rato? quem ainda usa isso com os portáteis? Estamos numa Era da Informação mas que curiosamente onde as religiões oficiais endureceram os seus discursos ignorantes. Para não falar da desesperante procura do Cidadão por novas espiritualidades ou modos de vida saudáveis mas completamente inadequados e pervertidos pela vida competitiva da cidade. O Monstro Capitalista disfarça-se já de New Age oferecendo talismãs de PVC numa caixa de cereais.

Boas notícias, parece que temos uma maior consciência do desastre ecológico iminente, e apesar de algumas medidas de prevenção e remendo, parece que já é tarde demais e dentro de alguns poucos anos estaremos perante um Apocalipse, embora uma parte da humanidade pensará que está a sonhar submersa em CGI's pós-Matrix. Felizmente o que não falta são comprimidos para adormecer que empilhados poderíamos subir até à Lua - mas como não há lá nada...

É neste espaço de paradoxos que propomos o livro Destruição ou bandas desenhadas de como foi horrível viver entre 2001 e 2010, uma antologia de bd que não querendo ser um documento histórico dos primeiros 10 anos do terceiro milénio nem um compêndio de futurologia bacoca, quer apanhar pelo menos 10 novos autores da banda desenhada portuguesa para reflectirem a sua existência nestes tempos "estranhos" (os tempos não são sempre estranhos?) já que a produção nacional, devido a demasiados defeitos para agora aqui referir, quase nunca reflecte o zeitgeist. O tema pueril pode lembrar os temas rídiculos dos concursos de bd que pupulam por aí mas na realidade é um "não-tema" - bastava a participação ter um sabor contemporâneo - e foi uma forma de eliminar bd's históricas ou de fantasia barata que voltaram a ser o "b-a-bá" da bd portuguesa.

Houve uma busca árdua em que foi preciso ESCAVAR à procura por estes novos talentos na bd portuguesa - conseguimos 15 autores, 17 de contarmos com dois escritores. Felizmente os apoios da Câmara Municipal de Cascais e da Hülülülü não nos escaparam porque foi preciso um ano de procura constante em sítios físicos e virtuais! Nas situações mais incomuns lá aparecia a pergunta «conheces algum puto novo que faça bd!?» Foram feitos pedidos às "escolas de bd" que além de não terem apresentado NENHUM resultado, a dada altura, ainda atrapalharam o processo - é de questionar para que elas servem realmente?

MAS conseguimos! Serão poucas páginas (não chegam a 100) mas são escolhas ecléticas e certeiras. Novas vozes e novas caras? Sim e novos traços e técnicas de trabalho que irão surpreender para quem julgava a bd portuguesa morta e a viver das velhas glórias dos anos 90. Todos eles mais ou menos seguros de si, a maior parte são multi-disciplinares - sobretudo com ligações à Música, alguma dela de cariz experimental - e com capacidades para projectarem uma obra no futuro. Não poderíamos estar mais orgulhosos de termos sido os primeiros a mostrá-los, sem pirotecnia circense nem paternalismos. Acho que a edição tem a sobriedade e dignidade que este grupo de autores mereciam. Obrigado por terem-se deixado apanhar!

Marcos Farrajota
(editor do Destruição)


...
Sobre os participantes: Ana Biscaia (1978) é ilustradora e designer gráfica. Estudou Design de Comunicação na Universidade de Aveiro, Design Gráfico e Ilustração na Konstfack University College of Arts, Crafts and Design (Estocolmo) --- Rodolfo Brito (1988; Oeiras) em 2005 em conjunto com o Chico, lançaram o zine Fantástico Michael agrupando desenhos de vários bandalhos. Participou também no Gatafunho (zine da António Arroio). Agora estou a fazer Artes Plasticas nas Caldas da Rainha. Ah, e já fui Escuteiro. --- David Campos (1979; Medons La Florett, França) aos 4 anos veio para Portugal, crescendo no Montijo. Tirou o curso de Formação Profissional de Desenho Animado (ETIC) e também o de Escrita para Multimédia e Audiovisuais, e na Ar.Co o curso de Ilustração e BD com uma pequena paragem de um ano para fazer voluntariado na Guiné-Bissau, actualmente faz umas bd's sobre as memórias da Guiné. --- Christina Casnellie (1982; Seattle, EUA) em 1994 veio para Portugal viver. Tirou o curso de Design de Comunicação na FBAUP. Recebeu uma bolsa Erasmus para estudar animação na Faculdade de Belas Artes de Budapeste (2003/04). Licenciada, em 2005 formou o Alfaiataria com o Rui Silva. Entre 1999 e 2006 realizou vários cursos e workshops nas áreas de Ilustração, BD, Animação e Serigrafia no Porto e Lisboa. Em 2006 recebeu uma bolsa Leonardo da Vinci e foi para Holanda trabalhar para o Studio Kluif como Designer e ilustradora onde ficou três anos. Agora trabalha como freelancer. --- Chico (Lisboa, 1989) co-editou o zine Fantástico Michael. --- André Coelho nasceu na infame década de 80 e continua a espalhar o seu terror gráfico hoje em dia na zona do Porto, estando sempre à espera do Armagedão participou também no MASSIVE (Chili Com Carne, 2009) entre capas para discos e a edição de zines sob a etiqueta Latrina do Chifrudo. --- Gonçalo Duarte (Setúbal, 1990) --- Afonso Ferreira (Portugal, 1988) Tem trabalhos de ilustração e BD publicados na Playboy, Cais e várias antologias. --- Bárbara Fonseca (1989, Caldas da Rainha) ganhou vários prémios nos concursos do Festival Internacional de BD da Amadora (2005, 2007 e 2009) e na Vírus (Menção Honrosa) e participou no Evasão!'zine e revista Big Ode. --- Sara Gomes nasceu em 9891 e desde então crê louvar o Santo Anás. --- Rui Madeira designer gráfico, nascido e cultivado em Portugal desde 1982. --- Ricardo Martins (1984) depois do Secundário na António Arroio aventura se pelo curso de Produção musical na Restart, de seguida reencontra o desenho e entra no curso de Ilustração e BD da Ar.Co. Paralelamente sempre esteve a música, tocou (bateria) em mais de 20 bandas nestes ultimos 8 anos e de momento está envolvido em Lobster, Adorno, Suchi Rukara, I had plans, Vrbls, R-, The Living Dead Orchestra. Participou nas exposições Adorno/ Suchi Rukara (2007), Furacão Mitra (2008) e Sobreviventes do Furacão Mitra (2009). Criou junto com a Margarida Borges a Hülülülü, onde tem vindo a ter o prazer de editar zines de amigos, dar os primeiros passos em stopmotion, organizar concertos, e a co-editar, em 2009 a antologia de desenho MASSIVE. Particpou no zine Chili Bean (2007) e antologia Crack On (2009) ambas pela Chili Com Carne. --- Sílvia Rodrigues (1984) licenciou-se em Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa; faz o curso de Ilustração e BD do Ar.Co. Participou em diversas exposições de ilustração com o colectivo Janelas Grandes. Publicou ilustrações na revista Cais, tendo ilustrado o livro Os InDiferentes de José de Matos-Cruz, no âmbito do 15º aniversário da mesma revista. Participou na antologia internacional de bd Crack On (Chili Com Carne + Forte Pressa; 2009). --- Rudolfo da Silva (1991) é um verdadeiro Mestre dos mais variados ofícios: desde a BD, passando pela Música e pela Agro-Pecuária, Rudolfo já de tudo fez e mostrou ser um excelente técnico desses variados assuntos. Adora ajudar o avô no seu mini-mercado. --- Uganda Lebre (26 anos, Portugal) --- José Smith Vargas (1981, Lisboa) formou-se em pintura na ESAD das Caldas da Rainha. Desde o final dos anos 90 que se dedica, à parte de outros ofícios, à bd e à ilustração. Publicou ilustrações no Mutate & Survive e Crica Ilustrada (pela Chili Com Carne) no Jornal de Sintra, no portal Sintra Cultural e em dezenas de zines. Na sua obra gráfica consta também a produção de cartazes e capas de discos e revistas. Fundou e cantou em bandas como Focolitus, Mal D´Vinhos e Casal do Leste. Dedica-se desde 2008 à pintura de murais em conjunto com Nadine Rodrigues.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Sábado underground

Foi um fim-de-semana no mínimo activo em eventos musicais underground, em Lisboa e no Porto - era preciso era escolher a cidade...

Em Lisboa houve um concerto de Presidente Drógado que lançou o EP A minha drogaria (Leote Records; 2012) de seis músicas sobre... drogas! Algumas são sacadas a edições anteriores do Drógado, outras são novas - sim porque este tipo pode ser agarrado mas tem mais pica que qualquer outro músico "clean" que ande por aí.
A versão de Waiting for the man (at Cova da Moura) é de um neo-realismo feliz, A broca é hilariante (excelente imitação de voz de mitra), O vinho e o Haxixe é uma rapsódia divertida... Foi um concerto em ambiente "relax", quase familiar, banda sonora para uma geração que se drogou ou que se droga,... no fundo até se percebe porque o Presidente ainda não foi editado de forma profissional, as editoras fonográficas são geridas por betinhos que não entendem o humor de agarrados e afins...
Antes do Drogadito-Mor apareceu um puto Smiley Face, também "cantautor" humorístico como o Presidente mas com letras dedicadas à vida teenager portuguesa deste milénio. Nice! É bom saber que o "cantautorismo" português está a fugir às secas Bob Dylans + poesia urbana da sarjeta + amor de Deus...

Foi neste concerto que conheci a simpática e fascinada "crew" da Cafreta Records que me arranjaram a sua colectânea Granda Compilação! (2008​-​2011) onde os projectos deste grupo de jovens se manifestam no esplendor DIY do CD-R eda  capa em fotocópia. As malhas que se ouvem passam pelo indie-rock-sónico (Pega Monstro, Kimo Ameba, Egg Shell), alguma electrónica (Go Suck a Fuck), Noise (Rabu Mastah) e folk (Éme) geralmente com letras (quando se percebem no meio da sujeira lo fi das gravações) de inocência (auto)trocista da idade que vivem - conseguindo emitir histórias sobre testes de matemática e namoricos.
Como já devem ter reparado, eles andam na boca do povo, apadrinhados pelo B Fachada e pela Filho Único, o que é estranho dada à leveza musical verde que os projectos deste colectivo ainda se encontram. É difícil perceber se é oportunismo bacoco ou apenas desespero por uma ausência de projectos musicais Pop/Rock com interesse em Lisboa. Talvez seja paternalismo e nostalgia, ao ponto que já se tenha forçado uma comparação da Cafetra à Beekeeper (editora lo fi dos anos 90) por culpa da grande cota-parte de Rock Sónico de ambos catálogos. Mas a única comparação possível será à FlorCaveira, pelo simples facto de que a Cafetra são uns 10 putos que se juntaram numa estrutura comum - por amizade, companheirismo e... "namoradismo". A Beekeeper era uma estrutura vertical, com bandas que tinham o seu individualimo, com percurso próprio e que apenas estavam juntas por haver uma ou duas cabeças que as juntaram com as prácticas DIY da altura: zines (um número apenas seja como for), distro, edição em formatos baratos (demo-tapes em k7) e discos colectivos. Sempre pelo prisma parvinho do Rock Indie / Sónico, só mais tarde é que se abriu ao Garage e Hardcore. No fundo eram as mesmas prácticas do mundo underground Punk, Industrial / Electrónico, Hardcore e Metal que existia em Portugal desde os anos 80. A Beekeeper não era uma família ao contrário da FlorCaveira (unidos pela religião em primeiro lugar, onde nos primeiros tempos cabia Punk ou Grind e só mais tarde a febre do "cantautorismo") ou da Cafetra - que são amigos e têm um leque abrangente de géneros sonoros. Só a pseudo-elite lisboeta, burra que nem uma porta, pouco crítica e ansiosa é que cria um "hype" onde não há nada para "hypar" - os putos são verdes e inseguros e Lisboa continua a ser um deserto com ou sem Cafetra. 
Talvez não haja nada para estragar a não ser nomes fixes como Putas Bêbadas (não se encontram na compilação) e vontade de ser autónomo à falta de tesão lisboeta. Espero que estes putos façam bandas de Death e Grind para afastar os idiotas do costume e para que eu possa ouvir o CD mais do que uma vez - há muito que não suporto esta coisa morta chamada de Rock que se insiste em chicotear...

Literalmente debaixo de terra, na cave do Café au Lait (Porto - esta sim uma cidade que sabe o que é música) foi lançado um novo projecto, o GhunaGangh, parceria de Ghuna X com Rey, à procura de violência punk no formato electrónica pós-dubstep. De facto ela é conseguida se quiserem ouvir no leitor mais abaixo - dizem que partiram a noite do lançamento do disco, eu acredito... As letras do Rey nada têm haver com o delicodoce do seu álbum de estreia nem o som do Ghuna X anda nos passeios cósmicos do seu 12". Ah! a edição do disco é algo no minímo insólita porque é um "patch" (um remendo para colocar no meu casaco de metaleiro arrependido) que dá acesso à descarga em linha do disco. À venda aqui.


domingo, 4 de janeiro de 2026

manual prático de uso da CCC (6/6) : projectos

Desenhos de André Ruivo in CapitãoCriCa Ilustrada (2005)
Sendo uma associação sem fins lucrativos e perfeitamente legalizada, a Chili Com Carne de dois em dois anos elege uma nova Direcção que põe em marcha os planos que são apresentados na Assembleia Geral - ou seja segundo a vontade dos associados que se apresentam nesta reunião.

Geralmente a Chili Com Carne publica projectos de novos autores mas sobretudo de trabalhos que desafiam a modorra literária e artística. Procuramos a hibridação de estilos e talvez por isso que dá prioridade a livros colectivos como aliás está tão bem registado desde 2001 com o seminal Mutate & Survive, passando pelo extremamente bem-sucedido MASSIVE (2010), pelo "omnívoro" Futuro Primitivo, e ainda em projectos especiais como a digressão europeia Boring Europa ou a antologia All watched over by machines of loving grace. O que não impede de publicar livros "a solo" de autores que temos muito orgulho como Nunsky, Rafael Dionísio, Marcos Farrajota, Francisco Sousa Lobo, Rui Eduardo Paes, Mariana Pita, Gonçalo Duarte, Amanda Baeza, André Coelho, Tiago Baptista, Rudolfo, Tiago da Bernarda, Rodolfo Mariano, Ana Margarida Matos, Rui Moura, Hetamoé ou Ivo Puiupo.

Não sendo a Chili Com Carne uma editora profissional ou comercial, como é óbvio não nadamos em dinheiro mas quando fazemos livros é porque queremos e inventamos formas de financiar o projecto! Dependemos das quotas dos associados, subsídios do estado mitra e das vendas, tudo isto permite ir trabalhando com algum desafogo mesmo que implique sacrifícios pessoais para fazer livros - tirando a gráfica, raramente os autores, designers, tradutores e editores são remunerados nos projectos. 

Tentamos fazer parcerias com outros editores para amortizar custos de impressão, armazenagem e partilhar know-how tal como já fizemos com A Batalha, Bicicleta, Clube do Inferno, Faca Monstro, Lovers & Lollypops, MMMNNNRRRG, Mundo Fantasma, O Panda Gordo, Rotten // Fresh, Ruru Comix, Shhhpuma, The Inspector Cheese Adventures, Thisco, You Are Not Stealing Records e a nível internacional com os festivais Alt Com (Suécia) e Crack (Itália), a antologia Kus! (Letónia) e o colectivo Stripburger (Eslovénia).

Actualmente a Direcção é oficialmente composta por Alexandra Saldanha, Inês Louro, Marcos Farrajota, Matilde Basto e Tomás Ribeiro, havendo mais seis elementos da Associação que funcionam como consultores nas decisões da Direcção.

Gostamos de ser desafiados no entanto nem vale a pena tentar se não tiverem capacidade de autocrítica, perceber em que mundo é que estão (dica da semana, leiam o jornal A Batalha!) e se não conhecerem bem o nosso catálogo, não vale a pena tentar meter o seu trabalho à força. Já agora, se encontrarem o nosso nome em directórios de editoras (o que permite pessoas enviarem propostas ridículas sem verem para onde estão a enviar), façam um favor, tentem apagar o nosso nome, não queremos ser massacrados por desesperados!

terça-feira, 26 de julho de 2011

graph ANTI POP

A 18ª Feira Laica, como já referi aqui, foi um paraíso (infernal, dado ao extremo calor!) de novidades. Não exclusivamente de edições per se, mas também de novos criadores. Muito rapidamente porque as férias chegaram, juntamente com a senhorita preguiça, eis uma lista comentada de edições que partillham a cultura Pop de formas poucos ortodoxas para além de serem todas graphzines.


Famous Tumours (Discordian Ink; 2011) é um zine de Jaime Raposo, autor que habitou em Berlim (quando estavámos de passagem com o Boring Europa) mas que voltou para Lisboa. Para a Feira preparou este zine que promete "anjos e tigres" no meio de baba, ranho e esperma. Creio que a ideia é colocar gente pública no meio de uma escatalogia semi-mutante, resultado mais do que obtido pelo virtuosismo de Jaime Raposo mas que me escapa em parte porque não tenho televisão há 9 anos e como tal há muita gente importante que não faço mínima ideia quem seja.
Admito que já ouvi falar num gajo do golfe chamado Tigers que é buéda bom a jogar e tem pipas de massa mas... who cares!?
Estejam atentos a este autor e esta sua "label". Boa apresentação e bons desenhos! Go!


Outro título / autor que pega em figuras Pop para gozar com elas é Headbanger (Paracetamol; 2011) de David Campos. 
Zine A5 com capas com capas de papel colorido à escolha do freguês - e já agora está à venda no sítio da CCC - recolhe uma série de ilustrações do autor em companhia com personagens de filme Holywood como o E.T., Robocop, Aliens, etc... ou pelo menos no principio do zine depois começa a desbundar. Mas essas imagens iniciais são bastante divertidas e inconscientes da mensagem que libertam - a minha favorita é o David com personagens do Planeta dos Macacos com o Cristo-Rei de Almada como pano de fundo... uma crítica sobre o Criacionismo? Bem as acompanhei durante a tour Boring Europa... Fico feliz em vê-las todas juntas. Quem for mitra e não comprar este zine pode vê-las todas no blogue do autor.

Outra compilação é Iceberg (Imprensa Canalha; 2010) de José Feitor que ao decidir acabar com o seu blogue escroque.blogspot.com (2005-2010) juntou as suas  ilustrações favoritas para um livro de autor impresso a cores.
As ilustrações apanham alguma História recente de Portugal e arredores como a queda de alguns ditadores (Saddam Hussein) e o regresso de outros (Cavaquistão II) entre outras situações mais díficeis de decifrar uma vez quea edição não inclui um índice (?) sobre os factos a que as ilustrações se reportam.  Os desenhos apesar de terem um ar desbundado são feitos com segurança de traço de quem domina há muito a ilustração de imprensa - embora, diga-se, que o autor não tenha feito assim tanta neste país pouco dado a essas coisas gráficas. Feitor abusa dos animais para serem a sua voz de crítica social enquanto o mundo abusa da sua própria estupidez.
A edição limitada finalmente está toda disponível - vários exemplares ficaram por montar desde o lançamento na 17ª Feira Laica. Aproveitem!

Por fim, do colectivo suiço Hécatombe, um trabalho a solo de Abstien Gachet, Les corps nus cornus (2011), livrinho A5 todo impresso em serigrafia, embora o miolo não pareça de tão fino que é o papel e impressão. Fino é o traço do autor. A vista também não se faz de grossa. Apanhado de desenhos de Gachet numa visita ao Berliner Medizinhistorisches Museum der Charité, onde pelos vistos estão expostas em formol uma colecção de aberrações humanas. As crianças das Stars nunca sairiam assim... Raios, não me apetece escrever mais... Amanhã é outro dia!

terça-feira, 4 de abril de 2017

ccc@tremor


Vamos ao Tremor fazer uma exposição mitra e um zine sobre o festival... Procuramos malta que queira fazer BD durante o evento! Contactem-nos! Rápido!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Gunas e mitras


Aparato / Harshcore (Kicking Lolypops; 200?)
Expeão : Maskhara, reconstructed versions (Faca Monstro + Banzé / Compact; 2009)
Ghuna X : Rokscape (Marvellous Tone; 2009)
v/a: Folk War, Fuck the Bastards Broadcast Sessions, vol.2 (Fuck the Bastards; 2008)

Rokscape é a primeira edição da Marvellous Tone que é "industrial" – não no som mas na embalagem, que infelizmente não cumpriu a promessa de fazer capas em serigrafia, o que é uma pena. Mas quem vê capas não vê corações e o que interessa é mesmo a rodela de plástico que debita uma espécie de Dubstep não assumido durante quase meia-hora tirando na faixa Triplets and Drive que se solta para o Drum’n’Bass. Ao que parece a coisa é feita de forma analógica mas não sei pormenores técnicos, excepto quando recebi o e-mail do Ghuna:
«o nome remete-se a rock and roll landscape, foi uma performance que fiz em Dezembro no Festival Quadros de Dança, (...) este foi o resultado... a performance tinha a ver com um gajo, eu, a tocar tipo banda rock, isto resolvido tecnicamente com amps e routing de sinais sonoros para diversas fontes. É uma cena muito basica, meia duzia de instrumentos e de estrutura simples. A "Triplets and drive" é realmente a mais complexa, era mais antiga mas que eu na altura decidi adaptar a performance e depois incluir neste cd».
É um EP que se ouve bem... ao contrário de Maskhara que é uma salganhada de remisturas de vários estilos electrónicos funcionais (House, Dubstep, Transe, Drum'n'Bass), tanto que muito exceptionalmente a faixa 6 é a pior do disco - não é normal uma faixa 6 ser má!!! Bom mas até há pior como as remisturas de DJ Case e The Dead:Lees que também andam pelo Mongo Dance / House - ou a ainda a Transe de Illow. As melhores misturas são as destructivas, claro, a cargo de HHY, Ghuna X, 1Way, DJ Order e Sírius que metem Drum'n'Bass, Grime, Breakcore e Dub Urbano, tudo isto ao barulho sobre as rimas sem papas na língua do Expeão. Infelizmente não conheço o álbum original, só posso analizar algumas letras pela primeira parte deste CD que é mais dado à remistura com letras - do que a segunda parte que segue por um caminho mais instrumental em que a voz é um complemento sonoro sem importância. Talvez o álbum original seja uma treta a nível instrumental como acontece com a maior parte dos discos de Hip Hop portugueses, talvez se safem as letras lixadas (de alguma forma, lembra a agressividade "white-trash" do Nerve) mas sinceramente não tenho minima ideia. Mas uma coisa é certa, se eu fosse o Expeão passava a usar os préstimos desta malta barulhenta para definitivamente entrar no século XXI e cagar para os paradigmas do Hip Hop anos 90 que já chateiam!


Na Mula Ruge (que acaba este Sábado!), ou melhor na sua inauguração havia para lá espanhóis extremistas - uns bebiam como uns loucos outros nunca tinham bebido na vida! -... bom... troquei CD's com os que bebiam, acho... Um dos CD's é um "split" com uma embalagem em serigrafia em cartão vermelho canelado tão mitra que não se percebe um caralho do que está lá escrito. Com dificuldade e ajuda da 'net lá descobri que era portanto um "split" de Aparato (de Espanha) e dos Harshcore (de Itália) e que a editora, Kicking Lolypops se calhar chama-se antes No dejare que salves este mundo mas tudo bem... o que importa? É mais um pedaço de música livre solta pelo mundo fora. Não sei quais são as faixas de Aparato e quais dos Harshcore mas a primeira é bastante "sexy" (Electrónica a roçar o Dubstep) e que se mantem numa onda electrónica mais ou menos calma até à quinta faixa, onde que suponho entram os italianos com "loops" irritantes "ma non troppo"... não é grave mas também não é bom.
O Folk War é uma compilação do programa "Fuck the Bastards" transmitido na rádio pirata Bronka (de Barcelona). São sessões ao vivo no programa onde pelos vistos vale tudo: Ambient (Hillary Jeffery de Inglaterra), Noise (Justice Yeldham & the Dinamic Ribbon Device da Austrália), Breakcore (The Toilet da Suécia, a lembrar o Otto), Folk, Blues - estes últimos géneros quase a servirem mais como "separadores" ou "interlúdios" para os extremos electrónicos, o que aliás suaviza a viagem sonora do disco especialmente depois de faixas longas e potentíssimas como a de Dave Phillips (da Suiça). Aliás, esta é sem dúvida a faixa mais potente e estranha como já não ouvia há muito muito tempo! Em 14 minutos um ambiente Dark Drone que podia ser mais uma chatice registada em áudio transforma-se numa demência sonora com latidos de cães e urros de humanos,... Tenho de "checar" este tipo...

domingo, 4 de janeiro de 2026

manual prático de uso da CCC (2/6) : edições esgotadas

Ilustração de Nunsky para o esgotado Chili Bean
E quando um livro da Chili Com Carne esgota porque fica tão caro? É para ser mitra ganancioso como aquela gente dos livros de artista!?

Nope!

É verdade que aumentamos sempre o preço de uma edição prestes a esgotar a partir dos últimos 10 ou 20 exemplares mas a razão é que queremos que esses últimos exemplares sejam adquiridos por quem quer mesmo e não para mais um colecionador tarado qualquer que nem sabe o que está a comprar... E é verdade que também é para capitalizar um pouco mais com esses últimos exemplares porque se os nossos livros pagam as despesas de impressão, raramente fazem lucro.

"Mas se venderam tudo não era de reeditar?" 

O que acontece é que sendo uma estrutura pequena como a nossa não temos muita capacidade para reedição porque significa voltar a investir dinheiro num projecto em deterioramento de outros novos. Significa também ter que arranjar mais tempo e espaço para armazenar livros. O que poderiam perguntar é porque uma editora profissional não pega nos nossos livros esgotados e nesses autores que deram provas de sucesso?

O que sobra depois de acabar uma tiragem? Existem as bibliotecas públicas e as Bedetecas que pululam pelo país e até pelo mundo fora - a Fanzinoteca de Poitiers, por exemplo. 

E há sempre hipóteses de encontrar ainda em algumas lojas os títulos esgotados porque nas boas livrarias há um cuidado em ter sempre tudo acessível como faz a Snob.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

América! América!


The Impediments (Happy Parts; 2009)

O camarada Aaron $hunga enviou mais uns exemplares do seu zine-livro Endless Nights (olha está para venda!) e ainda este CD para eu curtir. E é verdade que se curte a ouvir esta banda de Garage norte-americano que não esconde nem na capa as influências: à esquerda o neto do Joey Ramone, à direita um sobrinho de um gajo dos Stooges (a t-shirt não engana) e no meio dois filhos de amigos dos Clash e Buzzcocks. Rock como só os americanos conseguem fazer especialmente se forem teenagers cheios de sangue na guelra. Porque é que tem circuítos electrícos por detrás da foto da banda? Porque raios o $hunga enviou isto e não outra banda? Não interessa, é para curtir...


Mike Diana : America : Live / Die (Divus; 2012)

Não veio dos EU mas UE esta caixa com dois livros que compilam 96% (?) do trabalho do norte-americano Mike Diana. O livro Live parece ter quase todo o seu trabalho de BD, o Die as pinturas e desenhos... Para quem não comprou trabalhos deste polémico autor entre 2008 e 2010 em Portugal (no Furacão Mitra, Espaço CHILI! e Artside) agora terá de pagar 10 vezes mais à galeria de arte Divus - que se representa num eixo entre Praga, Londres e Berlim - e que fez uma enorme exposição retrospectiva de Diana em Londres, no ano passado. Creio que até este será o critério de selecção dos trabalhos publicados neste(s) livro(s) pois embora haja (poucos) trabalhos em falta no que respeita à BD, no caso das pinturas parece estar mais esquartejado - daí que o livro Die seja mais um catálogo da exposição que uma compilação de toda a obra feita. De resto, o sadismo e horror deste mundo inventado pelos judeus e cristãos é denunciado por Diana com todos requintes de maldade sempre numa escalada incansável. Quando achamos que Diana não consegue ultrapassar a escatologia extrema, descobre sempre mais uma forma de nos impressionar, nem que isso signifique mais pénis, sangue, esperma, mutilações, ácidos, insectos, facas, drogas, vaginas, mutantes,...
Já agora para quem não leu as suas BDs na antologia Mutate & Survive (Chili Com Carne; 2001) e o seu livro a solo Sourball Prodigy (MMMNNNRRRG; 2002), livros editados em Portugal e actualmente esgotadíssimos (vi um exemplar do Sourball na loja Mundo Fantasma!), ainda podem apanhar uns clássicos nas CriCas Ilustradas, como aquela BD do casal de agarrados que fumam um bébé a pensarem que é crack... Um must!

domingo, 14 de dezembro de 2008

are u mitra enough?



::10 a 20 de Dezembro na INTERPRESS::
Rua Luz Soriano, 67 Bairro Alto

aberto de 4ª Feira a Sábado, entre as 19h e as 24h
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terça-feira, 22 de julho de 2014

Seitan Seitan Scum / ESGOTADO


O número #22 do zine Mesinha de Cabeceira edita trabalhos de projectos frustrados pela inércia alheia e uma série de novos trabalhos vindos do outro lado do Atlântico sobre o tema das "Seitas"
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Chegou em 2010 numa altura que Portugal recebeu o decadente representante da Seita Seminal - a que criou as estruturas repressoras mais complexas da História da Humanidade. O Papa Rammstein fez de Portugal o seu penico católico e os portugueses nem piaram. Fecharam a Baixa Lisboeta para ele poder mijar disparates e o Estado português subserviente e salazarista deixou os seus Ministérios serem fechados, bem como escolas, universidades, bibliotecas e tudo o que é "seu" e ainda mandou rebocar carros para que o Papa Mais Feio de Sempre ("por cada pecado cometido, uma ruga te marcará a cara", como está escrito na Bíblia Sagrada!) possa sujar as nossas ruas com a sua legião de beatas pestilentas
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A única hipótese de salvar o país seria se o Representante Máximo do Porco Nazareno tivesse trazido a Peste Negra que lhe deve estar naqueles genes de Rato Negro e dizimasse todos os tontos que lhe cortejam. Mas o Universo é injusto e cruel e isso não acontecerá...

Restou-nos publicar o Seitan Seitan Scum
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Depois de mil atribulações, em que os editores do projecto já achavam que haveria uma Cabala contra o livro, conseguimos reunir ilustrações (muitas) e BD's (poucas) dos portugueses Bruno Borges, Pepedelrey, Filipe Abranches, Pedro Zamith (capa), Mulher-Bala, Jorge Coelho, André Lemos, José Feitor, João Maio Pinto, Daniel Lopes, João Tércio, Ricardo Cabral, e ainda cartuns de Silas - a representar a ala Protestante, bem como o Panque Roque do Senhor (ele pertence à banda Pontos Negros e outros projectos FlorCaveira)
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Do Brasil surgiram muitas propostas de bd vindas dos colectivos mais dinámicos do momento como o pessoal das revistas Prego (Chico Fêlix, Guido Imbroisi e Alex Vieira) e Samba (Gabriel Mesquita, Gabriel Góes e LTG), e do colectivo Pégassus Alado representados por Biú, Roberta Ramos e Stevz, e que nos visitaram em 2008 no evento Brucutumia. Também temos o Fábio Zimbres - excelente grafista e responsável pela extinta mas muito influente revista Animal - que desenhou uma história de Marte (Loverboy, NM), argumento escrito para outro projecto frustrado
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Por fim, temos ainda o norte-americano satânico-que-baste e polémico Mike Diana que numa BD decide homenagear a banda portuguesa industrialita Bizarra Locomotiva! Os originais, aliás, já tinham sido apresentados no evento Furacão Mitra, em Dezembro de 2008 na sua visita papesca, e nunca chegamos a perceber porquê a razão de tal coisa... aliás, não se percebe nada deste livro!
Amén!
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60p A4 a cores. edição brochada.
ISBN: 978-989-8363-00-8.
co-edição El Pep e Chili Com Carne
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Historial: lançamento a 20 de Maio 2010 na loja Trem Azul / Chiado After Work com a presença de alguns dos autores ... 3º prémio do Slowcomics Best Fanzine 2010 pela Fundação Franco Fossati (Itália) 
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Feedback: uma excelente antologia de histórias em quadrinhos, colagens, cartuns e ilustrações que falam – ou emitem pensamentos telepáticos – sobre as mazelas das religiões como um todo – ou como a própria contra capa resume, descrença secular. Nada recomendado para os de fraco estômago e os mais ortodoxos. Amém. Pula Pirata ...
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exemplos de trabalhos (Stevz, Mulher-Bala, Mike Diana e Daniel Lopes):

sábado, 16 de maio de 2009

Consolações gráficas na CHILI



“Absorto nestas ilusórias imagens (…) senti-me, por um tempo indeterminado, conhecedor abstracto do mundo.”
- Borges (O jardim dos caminhos que se bifurcam)
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Na CHILI a minha amiga Piggy (é uma alcunha da Ana Menezes) inaugura a sua primeira exposição a solo de Desenho. Apesar do ar miserabilista como ela se apresenta na nota biográfica para esta exposição (ver + abaixo) ela é uma grande artista que, infelizmente para mim, aproveita pouco o mundo do desenho excepto quando é coagida pelos projectos gráficos independentes que tem dinamizado as cidades de Lisboa e do Porto - falo das excelentes exposições da Feira Laica ou do Furacão Mitra
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A santa consolação é o bico da caneta a riscar no papel novelos de emaranhados. Os labirintos são mapas de se perder e andar às voltas. O desenho é o rasto da deriva entre o inconsciente e o pensamento. O resto é o tempo a passar - disse-me ela no outro dia. Creio que era um desabafo ainda dos teus tempos gloriosos do mundo do trabalho precário português (redundância bem sei) em que fez o zine Enfraskado com fotocópias manhosas - tiradas no Call Center? - embalado num... frasco!
Gosto como a Piggy mistura uma veia clássica de pintura e desenho antigo com as coisas mundanas da vida moderna. Os Anjos dela no fim acabam por ter caralhinhos e ainda bem, o que menos suporto nos dias de hoje é ver a Arte de eunucos e frígidas - que ainda assim podem aparecer na exposição para se babarem com a monotonia da Piggy...
Hum! Ela até arranja cuecas para essa gente!
Axima Bruta
RP da CHILI


Ana Menezes (1971, Lisboa) estudou Artes Plásticas nas Caldas da Rainha e em Évora, onde concluiu o mestrado em Artes Visuais. Para além do trabalho como artista plástica, a sua actividade profissional durante os últimos anos tem alternado entre o trabalho como professora, o subsídio de desemprego, e o submundo dos call-centers da PT.

RUA dos FANQUEIROS, 174, 1ºESQ.
2ª a 6ª feira das 12h30 às 20h. Sábados: 12h30 às 19h.
Encerra para almoço das 15h às 16h
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inaugurada a 2 de Maio, está patente até 16 de Maio

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sugar Fang III + Antibothis, vol.3 AMANHÃ



Em Dezembro de 2008, o polémico autor norte-americano Mike Diana visitou Lisboa durante o evento Furacão Mitra (na Interpress) e inaugurou não uma mas duas exposições! Ou seja, devido a problemas com a sua bagagem perdida, houve uma exposição improvisada e passados alguns dias houve a exposição “oficial”, a segunda versão da Super Fang!

O que apresentamos nesta exposição a inaugurar AMANHÃ, na Artside, às 17h, são os "restos mortais" que Diana deixou porque foi tão cheio de bonecos de bebés e livros/zines portugueses de volta para Nova Iorque que teve de deixar os seus trabalhos cá. São desenhos, pinturas e umas cabeças diabólicas que estarão em exposição pública até dia 10 de Abril.

Entretanto, o livro Sourball Prodigy esgotou – deixando a editora MMMNNNRRRG a comemorar os seus 10 anos com mais um triunfo entre muitos outros a acontecer este ano – mas ainda há muitas antologias da Chili Com Carne (Mutate & Survive, CriCas Ilustradas, Chili Bean) com bd’s de Diana.

Aproveitando o facto de que no próximo e quarto volume será publicada uma entrevista a Diana, aproveitamos para lançar o presente e terceiro volume de Antibothis (quinto volume da colecção THISCOvery CCChannel).

Após a excelente receptividade que a antologia literária Antibothis obteve a nivel global e a sua aceitação e interesse por parte de colectivos, escritores e musicos, não restava outra saida à Thisco e à Chili Com Carne que a de voltar ao ataque com o terceiro volume,desta feita com textos de John Zerzan, Adi Newton e Jane radion Newton, Randall Pyke, Franck Rynne, SocialFiction, Nygel Ayers, Joe Ambrose, Iona Miller, Thomas Lyttle, Ewen Chardronnet, Earth First e Chad Hensley. Como sempre com uma capa ilustrada por André Lemos e design de João Cunha. O CD que acompanha o livro conta com as participações de The Master Musicians of Joujouka, Phillipe Petit, Lydia Lunch, Checkpint 303, Kal Cahoone, Gintas k, Orbit Service, Anla Courtis, Stpo, Jane Radion Newton/Adi Newton, Zeitkratzer, Gjoll e Pietro Riparbelli.
...
Ainda sobre Diana: «Foi numa carta (privada) à minha pessoa, enquanto editor do livro Sourball Prodigy, que o autor de bd Janus (O Macaco Tozé) comentou que Diana só é um autor polémico porque «habita num país de imbecis». Provavelmente se habitasse na velha Europa não teria nem a metade das chatices. Mas não, no estado da Florida vive-se a "tolerância zero" - ou seja, nem uma sex-shop pode se instalar por aquelas bandas. E por isso mesmo que Diana nos anos 90, puto na altura, editor do zine Boiled Angel, teve dois azares terríveis com a Justiça norte americana, azares esses que o tornaram mundialmente famoso.
Diana nasceu em 1969 em Geneva, Nova Iorque, mas a sua família mudou-se para a Florida em 1979. Desde criança gostava de desenhar, na juventude teve acesso às reedições de bd’s de horror EC Comics e às ultra-violentas e escatológicas de S. Clay Wilson. Inspirações directas para Diana que começou a fazer zines de bd e sobre cultura “serial killer” em 1988. O primeiro chamava-se Angelfuck (inspirado pelos Misfits?), recebeu boas críticas no importante meta-zine Fact Sheet 5. Um ano mais tarde começa Boiled Angel e no número seis deste título começam os seus problemas. Tudo começou quando foi considerado suspeito de ser o "serial-killer" de Gainesville por causa da capa desse número - e à americana, era um dos 10 000 suspeitos que submeteram-se a testes de sangue,... mas mesmo "à americana", foi o que lhe aconteceu a seguir, entre 1993 e 1994, é acusado de produzir e distribuir “material” obsceno por causa dos números 7 e 8 do zine. As consequências foram várias: foi preso durante 48h numa cela de segurança máxima (no fim-de-semana para o segundo julgamento), teve uma sentença de 3 anos em liberdade condicional, não se podia aproximar de menores, teve de pagar multas, trabalhar em serviços comunitários, tirar uma carteira profissional em jornalismo, ser avaliado psicologicamente (às suas próprias custas!), não podia ter em casa material "obsceno" nem... poder desenhar mais!
A notícia espalhou-se pelo mundo fora, tendo chocado a comunidade internacional. Foi assim que conheci o caso, já em 1995, e escrevi a dar apoio ao autor. Comecei a publicar os seus trabalhos em Portugal, primeiro no zine Mesinha de Cabeceira (...).» - Marcos Farrajota in Umbigo

 

ainda sobre ANTIBOTHIS: são antologias literárias occulturais periódicas, apresentado textos e entrevistas de autores tanto desconhecidos como já com créditos firmados, na dissidência e disseminação alternativa de informação e propaganda literária, uma revolta em nome da imaginação em oposição a uma existência tóxica de baixo teor cognitivo.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Bom-Bom Ano Novo

2008 foi um ano bom para a Chili Com Carne apesar das crises generalistas e a constante diminuição de apoios institucionais - por exemplo, a Câmara Municipal de Cascais desde 2005 acha que não deve apoiar os nossos livros porque os "Livros" como, aliás, toda a gente sabe, não trazem prestígio para uma vila. Só é pena que não tenham apercebido que graças ao Mutate & Survive, alguns autores participantes como o francês Jonathan Larabie e os italianos Mara Cerri, Alberto Corradi e Gianluca Costantini vieram a Portugal depois de conhecerem a antologia. Enfim... a cultura em Portugal continua a ser Fado, Futebol e uma Fátima.
Quem diria que em 2008 foi o ano que vendemos mais desde 2004?  Esse ano foi quando a nossa distribuidora livreira, a Witloof, fechou a actividade e consequentemente foram feitas todas as continhas com as livrarias. Ora edições nossas estavam paradas naquilo que é o caótico mercado livreiro: contas com a distribuidora que nunca foram feitas, livros que pensavamos que não tinham vendido nada afinal tinham sido todos vendidos após as contagens de stock. Mas continuando, 2008 foi um bom ano... como foi possível?

Várias razões, a primeira é que tivemos "em todas"... fomos ou co-organizamos tantos eventos nacionais e internacionais que alguns, lamentavelmente já nem me lembrava que tinham sido em 2008. Estivemos ou fomos representados no Festival de BD de Angoulême, First Off (Bruxelas), SPX (Estocolmo), Festival de BD de Beja, Feira Refractária (Porto), Feira do Livro Anarquista (Lisboa), Comunicar:Design (Caldas da Raínha), Crack (Roma), Festival de BD de Helsinquía, Boom Fest (S. Peterburgo), Cinanima (Espinho), Feira de Fanzines de Almada e MAGA (Caldas da Raínha). Para não falar naqueles que fomos responsáveis parcialmente ou na totalidade: Brucutumia 2008 (com a Groovie Records), Bunny Weekend 2008 (como o LAC), ZineZineZine (com a livraria Ao Sabor da Leitura), Feira(s) Laica(s) e o Furacão Mitra. Claro que fomos muito mais bem aceites lá "fora" (há estórias lindas de Helsínquia ou de Roma!) do que cá tanto que pela primeira vez decidimos nem se quer meter as edições no Festival da Amadora.
Também foi um ano com novidades editoriais: Cadernos de Fausto do nosso "escritor-fetiche" Rafael Dionísio e Noitadas, Deprês e Bubas de Marcos Farrajota, mais um volume de Occultura, Antibothis, co-editado com a associação amiga Thisco, e avançamos com T-shirts (impressas por Lucas Almeida). Os associados não pararam de editar excelentes edições como a antologia Cabeça de Ferro da Imprensa Canalha, o zine Post Shit da Jucifer (que fez um sucesso em Roma e Helsínquia!) ou novos Opuntias Books. E para acrescentar ainda apareceram o sangue-novo-colectivo Hülülülü que já lançaram uns 5 títulos...
Foi também um ano que duas distribuidoras interessaram-se pelos nossos livros e dos nossos associados: By Zebra (Madrid/Berlim) e a Corndog (UK). 
E com o site remodelado desde 2007, a CCC chegou a mais pessoas interessadas na Associação, nas edições ou o que distribuímos. Ainda dizem que em Portugal não há público para "coisas alternativas" e por isso que as livrarias escondem os nossos livros ou que não os querem, ou até aceitam, vendem-nos todos e depois não pedem mais porque... - em relação a esta  última situação acho que não há mesmo explicação. É triste mas a tristeza só atrapalha e por isso que este ano vamos abrir um espaço para não termos de nos sentir humilhados pela falta de visão das "casas de cultura" (livrarias, discotecas e outras lojas) com as devidas excepões, e desde já queríamos reconhecer publicamente a inteligência da Mundo Fantasma em ter deixado de trabalhar à consignação connosco - e esta já é a primeira vitória de uma guerra a combater ferozmente este ano. 
Pelo meio, vamos inaugurar um espaço no meio da degradada Baixa Lisboeta na Terça-Feira, dia 27 de Janeiro. Estão prometidas exposições, lançamentos de edições (discos, livros, zines), performances e workshops. Sem medos empapados de "saudade". Mais informações sobre a inaguração durante esta semana, estejam atentos!