Sobreviventes do Furacão Mitra acaba com WHIT




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Segunda semana do Furacão e mais umas surpresas porreiras da edição nacional alternativa!
A começar pelos Löbo e o seu CD-R de apresentação Dânaca (ed. autor; 2008) com um tema apenas de 16m. Tocaram numa noite do Mitra mostrando que vão pelos ambientes Neo-Doom recentemente popularizados pelos Earth e Sunn0))) e pelas superfícies planantes (da treta) do Post Metal. A vantagem dos Löbo é que não dão tretas como temos assistido às milhares de bandas instrumentais que tem aparecido - portuguesas ou não. Aqui a estória é outra, a cena é mesmo para ser "Dark Attack" sem tretas pseudo-sensíveis da moda e secas monumentais. E ainda por cima gravaram bem a música. A acompanhar, sem sombras de dúvida!
Um dos elementos dos Löbo, o baterista, faz parte dos The Youths, banda punkoíde que tem um EP vinil 7" ntitulado Generationless (Regulator + SxHxOx; 2007). São cinco músicas abrir de Punk / Core cheio de energia, energia essa que me passa ao lado porque há anos que não consigo ouvir as infinitas variações autofágicas do Punk e Hardcore. É nitidamente "teeny-boopy" em que conseguem dizer barbaridades não lá muito pensadas, como por exemplo, na música Suicide City que se refere a Lisboa (uma das mais belas cidades da Europa embora seja verdade que lhe falte o "verde") dizem que as miúdas de Lx são feias - tentem Coimbra ou Peniche para ver o que são chavalas feias, seus idiotitas! E já agora, a cidade portuguesa com maior taxa de suicídios é Setúbal... de onde são os Löbo! «Sorry, but no cigar!» mas ao menos a banda não tem aquela voz merdosa de gata com o cio como a dos Vicious 5. Falta dizer que a poderosa capa e design do disco é da autoria de Manuel Donada, que participou na colectiva Furacão Mitra e é baterista dos "muy" divertidos Grabba Grabba Tape. Já sabem, não julguem um disco pela capa...
Na edição natalixa da Feira Laica (a finalizar o Furacão Mitra) apareceu mais uma nova produção do Filipe Leote desta vez com um CD-R intitulado Radio CD (F.Leote; 2008) que oferecia um... rádio! Exacto, nestes estranhos dias em que a música se desmaterializa a olhos vistos, também há o caminho inverso, ou seja, quem estime o objecto raro (como uma obra de arte massificada ou não). Daí que o vinil esteja a voltar ou alguns CD's tenham embalagens cada vez mais extravagantes. Neste caso, o gozo é outro, Leote pegou em vários rádios que recebeu (?) e gravou um CD-R de 25m com uma colagem de várias peças envolta da rádio, a maior parte delas vindas da revista sobre multimedia, Resonance, mas também de outras fontes como os Negativland. De forma geral, soa aquilo o que se espera do tema, transmissões de rádio a serem saltitadas intercaladas com sons de interferência num típico jogo de experimentação sónica não muito radical. O rádio que me fez comprar o CD-R é bem giro. O Sr. Leote já fez melhor...
Para acabar, as edições da Skinpin Records que também apareceram na Laica. São CD-R's com capa impressa e geralmente ilustradas - como deveria ser regra de ouro em todas as edições fonográficas. Apneia (2008) é dos Musgo uma dupla - pelo menos até este disco gravado em 2006, acho que agora já são um trio. Dizia, que é uma dupla que faz música ambiental dronesca usando muita electrónica mas também analógico e orgânico como por exemplo uma bateria. Há algo de aquático nestes sons que flutuam pelos 50 e tal minutos de duração. Depois de ouvir a nada desagradável música, pouco fica na cabeça. Porque será? Fica a capa que talvez por nada ter haver com água seja mais memorável...
Os Ideas for Muscles lançaram o segundo "opus" intitulado Misuse of muscle's appliance (2008 - edição online pela Merzbau) que mais uma vez tem uma excelente capa de Paulo Bento. Nas notas de imprensa que fui encontrando dizem que os IFM neste disco decidiram inverter o processo do primeiro EP, ou seja, sujar as "músicas-canções" - apesar desse EP estar cá incluído. Mais caótico? Sem dúvida. Melhorou? Apesar de tudo não consigo detectar diferenças - seja como for a banda já é "melhor" do que a maior parte das porras que andam por aí. Até os títulos das músicas são fixes: Hostage's dialect ou Hands off my booze motherfucker! (que lembra os "nipo-homeless" Ultra Bidé). Fuck Portugal I got Ideas but Mitra's over!
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Labels: discos
[cartaz de Luís Henriques]
Vai haver uma Feira Laica AMANHÃ durante o evento Furacão Mitra.
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Editores presentes:
Averno, fanzine Alçapão - fanzine de arquitectura dura, Associação Chili Com Carne, jornal Coice de Mula, discos F.Leote, GAIA - Centro de Convergência, fanzine O Hábito Faz o Monstro, Imprensa Canalha, Mike Goes West, MMMNNNRRRG (com o autor norte-americano Mike Diana), Opuntia Books, Os Gajos da Mula, [R]eject'zine, Serrote (com a autora Maria João Worm), Thisco e Via Óptima.
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Novidades Editoriais:
- Blues Control de Pedro Lourenço (Imprensa Canalha);
- Dois cartazes da colecção Checkpoint de Mike Diana (Mike Goes West)
- Desenho de André Lemos e Luís Henriques em serigrafia (Mike Goes West)
- Embroidered Muscles de André Lemos (Opuntia Books)
- Colecção de Postais, vários autores (Os Gajos da Mula)
- Puta prateada, de Jucifer, col. Comércio Tradicional (Mike Goes West)
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Costuma-se dizer que nos anos zero dos séculos (e dos milénios) não costuma "acontecer nada" que marque a História. Engane-se aquele quem quiser ser enganado porque pelos menos desta vez, os dez primeiros anos do Novo Milénio foram cheios de acontecimentos trágicos e geradores de paradigmas. Invés de acabar com um “bang” começou-se antes com dois "bangs", o 11 de Setembro, que serviu de mote para muito do que veio depois como a gradual perda dos Direitos Civis, sobretudo no campo da privacidade, sempre com desculpas de questões de segurança.
A Cultura tem vindo a desmaterializar-se para formatos digitais e democratizado - quem pensaria que hoje pudessemos ouvir raridades dos antípodas com um clique de rato - rato? quem ainda usa isso com os portáteis? Estamos numa Era da Informação mas que curiosamente onde as religiões oficiais endureceram os seus discursos ignorantes. Para não falar da desesperante procura do Cidadão por novas espiritualidades ou modos de vida saudáveis mas completamente inadequados e pervertidos pela vida competitiva da cidade. O Monstro Capitalista disfarça-se já de New Age oferecendo talismãs de PVC numa caixa de cereais.
Boas notícias, parece que temos uma maior consciência do desastre ecológico iminente, e apesar de algumas medidas de prevenção e remendo, parece que já é tarde demais e dentro de alguns poucos anos estaremos perante um Apocalipse, embora uma parte da humanidade pensará que está a sonhar submersa em CGI's pós-Matrix. Felizmente o que não falta são comprimidos para adormecer que empilhados poderíamos subir até à Lua - mas como não há lá nada...
É neste espaço de paradoxos que propomos o livro Destruição ou bandas desenhadas de como foi horrível viver entre 2001 e 2010, uma antologia de bd que não querendo ser um documento histórico dos primeiros 10 anos do terceiro milénio nem um compêndio de futurologia bacoca, quer apanhar pelo menos 10 novos autores da banda desenhada portuguesa para reflectirem a sua existência nestes tempos "estranhos" (os tempos não são sempre estranhos?) já que a produção nacional, devido a demasiados defeitos para agora aqui referir, quase nunca reflecte o zeitgeist. O tema pueril pode lembrar os temas rídiculos dos concursos de bd que pupulam por aí mas na realidade é um "não-tema" - bastava a participação ter um sabor contemporâneo - e foi uma forma de eliminar bd's históricas ou de fantasia barata que voltaram a ser o "b-a-bá" da bd portuguesa.
Houve uma busca árdua em que foi preciso ESCAVAR à procura por estes novos talentos na bd portuguesa - conseguimos 15 autores, 17 de contarmos com dois escritores. Felizmente os apoios da Câmara Municipal de Cascais e da Hülülülü não nos escaparam porque foi preciso um ano de procura constante em sítios físicos e virtuais! Nas situações mais incomuns lá aparecia a pergunta «conheces algum puto novo que faça bd!?» Foram feitos pedidos às "escolas de bd" que além de não terem apresentado NENHUM resultado, a dada altura, ainda atrapalharam o processo - é de questionar para que elas servem realmente?
MAS conseguimos! Serão poucas páginas (não chegam a 100) mas são escolhas ecléticas e certeiras. Novas vozes e novas caras? Sim e novos traços e técnicas de trabalho que irão surpreender para quem julgava a bd portuguesa morta e a viver das velhas glórias dos anos 90. Todos eles mais ou menos seguros de si, a maior parte são multi-disciplinares - sobretudo com ligações à Música, alguma dela de cariz experimental - e com capacidades para projectarem uma obra no futuro. Não poderíamos estar mais orgulhosos de termos sido os primeiros a mostrá-los, sem pirotecnia circense nem paternalismos. Acho que a edição tem a sobriedade e dignidade que este grupo de autores mereciam. Obrigado por terem-se deixado apanhar!
Marcos Farrajota
(editor do Destruição)
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Sobre os participantes: Ana Biscaia (1978) é ilustradora e designer gráfica. Estudou Design de Comunicação na Universidade de Aveiro, Design Gráfico e Ilustração na Konstfack University College of Arts, Crafts and Design (Estocolmo) --- Rodolfo Brito (1988; Oeiras) em 2005 em conjunto com o Chico, lançaram o zine Fantástico Michael agrupando desenhos de vários bandalhos. Participou também no Gatafunho (zine da António Arroio). Agora estou a fazer Artes Plasticas nas Caldas da Rainha. Ah, e já fui Escuteiro. --- David Campos (1979; Medons La Florett, França) aos 4 anos veio para Portugal, crescendo no Montijo. Tirou o curso de Formação Profissional de Desenho Animado (ETIC) e também o de Escrita para Multimédia e Audiovisuais, e na Ar.Co o curso de Ilustração e BD com uma pequena paragem de um ano para fazer voluntariado na Guiné-Bissau, actualmente faz umas bd's sobre as memórias da Guiné. --- Christina Casnellie (1982; Seattle, EUA) em 1994 veio para Portugal viver. Tirou o curso de Design de Comunicação na FBAUP. Recebeu uma bolsa Erasmus para estudar animação na Faculdade de Belas Artes de Budapeste (2003/04). Licenciada, em 2005 formou o Alfaiataria com o Rui Silva. Entre 1999 e 2006 realizou vários cursos e workshops nas áreas de Ilustração, BD, Animação e Serigrafia no Porto e Lisboa. Em 2006 recebeu uma bolsa Leonardo da Vinci e foi para Holanda trabalhar para o Studio Kluif como Designer e ilustradora onde ficou três anos. Agora trabalha como freelancer. --- Chico (Lisboa, 1989) co-editou o zine Fantástico Michael. --- André Coelho nasceu na infame década de 80 e continua a espalhar o seu terror gráfico hoje em dia na zona do Porto, estando sempre à espera do Armagedão participou também no MASSIVE (Chili Com Carne, 2009) entre capas para discos e a edição de zines sob a etiqueta Latrina do Chifrudo. --- Gonçalo Duarte (Setúbal, 1990) --- Afonso Ferreira (Portugal, 1988) Tem trabalhos de ilustração e BD publicados na Playboy, Cais e várias antologias. --- Bárbara Fonseca (1989, Caldas da Rainha) ganhou vários prémios nos concursos do Festival Internacional de BD da Amadora (2005, 2007 e 2009) e na Vírus (Menção Honrosa) e participou no Evasão!'zine e revista Big Ode. --- Sara Gomes nasceu em 9891 e desde então crê louvar o Santo Anás. --- Rui Madeira designer gráfico, nascido e cultivado em Portugal desde 1982. --- Ricardo Martins (1984) depois do Secundário na António Arroio aventura se pelo curso de Produção musical na Restart, de seguida reencontra o desenho e entra no curso de Ilustração e BD da Ar.Co. Paralelamente sempre esteve a música, tocou (bateria) em mais de 20 bandas nestes ultimos 8 anos e de momento está envolvido em Lobster, Adorno, Suchi Rukara, I had plans, Vrbls, R-, The Living Dead Orchestra. Participou nas exposições Adorno/ Suchi Rukara (2007), Furacão Mitra (2008) e Sobreviventes do Furacão Mitra (2009). Criou junto com a Margarida Borges a Hülülülü, onde tem vindo a ter o prazer de editar zines de amigos, dar os primeiros passos em stopmotion, organizar concertos, e a co-editar, em 2009 a antologia de desenho MASSIVE. Particpou no zine Chili Bean (2007) e antologia Crack On (2009) ambas pela Chili Com Carne. --- Sílvia Rodrigues (1984) licenciou-se em Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa; faz o curso de Ilustração e BD do Ar.Co. Participou em diversas exposições de ilustração com o colectivo Janelas Grandes. Publicou ilustrações na revista Cais, tendo ilustrado o livro Os InDiferentes de José de Matos-Cruz, no âmbito do 15º aniversário da mesma revista. Participou na antologia internacional de bd Crack On (Chili Com Carne + Forte Pressa; 2009). --- Rudolfo da Silva (1991) é um verdadeiro Mestre dos mais variados ofícios: desde a BD, passando pela Música e pela Agro-Pecuária, Rudolfo já de tudo fez e mostrou ser um excelente técnico desses variados assuntos. Adora ajudar o avô no seu mini-mercado. --- Uganda Lebre (26 anos, Portugal) --- José Smith Vargas (1981, Lisboa) formou-se em pintura na ESAD das Caldas da Rainha. Desde o final dos anos 90 que se dedica, à parte de outros ofícios, à bd e à ilustração. Publicou ilustrações no Mutate & Survive e Crica Ilustrada (pela Chili Com Carne) no Jornal de Sintra, no portal Sintra Cultural e em dezenas de zines. Na sua obra gráfica consta também a produção de cartazes e capas de discos e revistas. Fundou e cantou em bandas como Focolitus, Mal D´Vinhos e Casal do Leste. Dedica-se desde 2008 à pintura de murais em conjunto com Nadine Rodrigues.
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Labels: Colecção CCC, marcos farrajota
Foi um fim-de-semana no mínimo activo em eventos musicais underground, em Lisboa e no Porto - era preciso era escolher a cidade...
Foi neste concerto que conheci a simpática e fascinada "crew" da Cafreta Records que me arranjaram a sua colectânea Granda Compilação! (2008-2011) onde os projectos deste grupo de jovens se manifestam no esplendor DIY do CD-R eda capa em fotocópia. As malhas que se ouvem passam pelo indie-rock-sónico (Pega Monstro, Kimo Ameba, Egg Shell), alguma electrónica (Go Suck a Fuck), Noise (Rabu Mastah) e folk (Éme) geralmente com letras (quando se percebem no meio da sujeira lo fi das gravações) de inocência (auto)trocista da idade que vivem - conseguindo emitir histórias sobre testes de matemática e namoricos.
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| Desenhos de André Ruivo in CapitãoCriCa Ilustrada (2005) |
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Labels: andré ruivo, Manual prático de uso da CCC
A 18ª Feira Laica, como já referi aqui, foi um paraíso (infernal, dado ao extremo calor!) de novidades. Não exclusivamente de edições per se, mas também de novos criadores. Muito rapidamente porque as férias chegaram, juntamente com a senhorita preguiça, eis uma lista comentada de edições que partillham a cultura Pop de formas poucos ortodoxas para além de serem todas graphzines.
Famous Tumours (Discordian Ink; 2011) é um zine de Jaime Raposo, autor que habitou em Berlim (quando estavámos de passagem com o Boring Europa) mas que voltou para Lisboa. Para a Feira preparou este zine que promete "anjos e tigres" no meio de baba, ranho e esperma. Creio que a ideia é colocar gente pública no meio de uma escatalogia semi-mutante, resultado mais do que obtido pelo virtuosismo de Jaime Raposo mas que me escapa em parte porque não tenho televisão há 9 anos e como tal há muita gente importante que não faço mínima ideia quem seja.
Outra compilação é Iceberg (Imprensa Canalha; 2010) de José Feitor que ao decidir acabar com o seu blogue escroque.blogspot.com (2005-2010) juntou as suas ilustrações favoritas para um livro de autor impresso a cores.
Por fim, do colectivo suiço Hécatombe, um trabalho a solo de Abstien Gachet, Les corps nus cornus (2011), livrinho A5 todo impresso em serigrafia, embora o miolo não pareça de tão fino que é o papel e impressão. Fino é o traço do autor. A vista também não se faz de grossa. Apanhado de desenhos de Gachet numa visita ao Berliner Medizinhistorisches Museum der Charité, onde pelos vistos estão expostas em formol uma colecção de aberrações humanas. As crianças das Stars nunca sairiam assim... Raios, não me apetece escrever mais... Amanhã é outro dia!
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Labels: david campos, feira laica, imprensa canalha, josé feitor, livros, zines
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Aparato / Harshcore (Kicking Lolypops; 200?)
Expeão : Maskhara, reconstructed versions (Faca Monstro + Banzé / Compact; 2009)
Ghuna X : Rokscape (Marvellous Tone; 2009)
v/a: Folk War, Fuck the Bastards Broadcast Sessions, vol.2 (Fuck the Bastards; 2008)
Rokscape é a primeira edição da Marvellous Tone que é "industrial" – não no som mas na embalagem, que infelizmente não cumpriu a promessa de fazer capas em serigrafia, o que é uma pena. Mas quem vê capas não vê corações e o que interessa é mesmo a rodela de plástico que debita uma espécie de Dubstep não assumido durante quase meia-hora tirando na faixa Triplets and Drive que se solta para o Drum’n’Bass. Ao que parece a coisa é feita de forma analógica mas não sei pormenores técnicos, excepto quando recebi o e-mail do Ghuna:
«o nome remete-se a rock and roll landscape, foi uma performance que fiz em Dezembro no Festival Quadros de Dança, (...) este foi o resultado... a performance tinha a ver com um gajo, eu, a tocar tipo banda rock, isto resolvido tecnicamente com amps e routing de sinais sonoros para diversas fontes. É uma cena muito basica, meia duzia de instrumentos e de estrutura simples. A "Triplets and drive" é realmente a mais complexa, era mais antiga mas que eu na altura decidi adaptar a performance e depois incluir neste cd».
É um EP que se ouve bem... ao contrário de Maskhara que é uma salganhada de remisturas de vários estilos electrónicos funcionais (House, Dubstep, Transe, Drum'n'Bass), tanto que muito exceptionalmente a faixa 6 é a pior do disco - não é normal uma faixa 6 ser má!!! Bom mas até há pior como as remisturas de DJ Case e The Dead:Lees que também andam pelo Mongo Dance / House - ou a ainda a Transe de Illow. As melhores misturas são as destructivas, claro, a cargo de HHY, Ghuna X, 1Way, DJ Order e Sírius que metem Drum'n'Bass, Grime, Breakcore e Dub Urbano, tudo isto ao barulho sobre as rimas sem papas na língua do Expeão. Infelizmente não conheço o álbum original, só posso analizar algumas letras pela primeira parte deste CD que é mais dado à remistura com letras - do que a segunda parte que segue por um caminho mais instrumental em que a voz é um complemento sonoro sem importância. Talvez o álbum original seja uma treta a nível instrumental como acontece com a maior parte dos discos de Hip Hop portugueses, talvez se safem as letras lixadas (de alguma forma, lembra a agressividade "white-trash" do Nerve) mas sinceramente não tenho minima ideia. Mas uma coisa é certa, se eu fosse o Expeão passava a usar os préstimos desta malta barulhenta para definitivamente entrar no século XXI e cagar para os paradigmas do Hip Hop anos 90 que já chateiam!
Na Mula Ruge (que acaba este Sábado!), ou melhor na sua inauguração havia para lá espanhóis extremistas - uns bebiam como uns loucos outros nunca tinham bebido na vida! -... bom... troquei CD's com os que bebiam, acho... Um dos CD's é um "split" com uma embalagem em serigrafia em cartão vermelho canelado tão mitra que não se percebe um caralho do que está lá escrito. Com dificuldade e ajuda da 'net lá descobri que era portanto um "split" de Aparato (de Espanha) e dos Harshcore (de Itália) e que a editora, Kicking Lolypops se calhar chama-se antes No dejare que salves este mundo mas tudo bem... o que importa? É mais um pedaço de música livre solta pelo mundo fora. Não sei quais são as faixas de Aparato e quais dos Harshcore mas a primeira é bastante "sexy" (Electrónica a roçar o Dubstep) e que se mantem numa onda electrónica mais ou menos calma até à quinta faixa, onde que suponho entram os italianos com "loops" irritantes "ma non troppo"... não é grave mas também não é bom.
O Folk War é uma compilação do programa "Fuck the Bastards" transmitido na rádio pirata Bronka (de Barcelona). São sessões ao vivo no programa onde pelos vistos vale tudo: Ambient (Hillary Jeffery de Inglaterra), Noise (Justice Yeldham & the Dinamic Ribbon Device da Austrália), Breakcore (The Toilet da Suécia, a lembrar o Otto), Folk, Blues - estes últimos géneros quase a servirem mais como "separadores" ou "interlúdios" para os extremos electrónicos, o que aliás suaviza a viagem sonora do disco especialmente depois de faixas longas e potentíssimas como a de Dave Phillips (da Suiça). Aliás, esta é sem dúvida a faixa mais potente e estranha como já não ouvia há muito muito tempo! Em 14 minutos um ambiente Dark Drone que podia ser mais uma chatice registada em áudio transforma-se numa demência sonora com latidos de cães e urros de humanos,... Tenho de "checar" este tipo...
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| Ilustração de Nunsky para o esgotado Chili Bean |
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The Impediments (Happy Parts; 2009)
O camarada Aaron $hunga enviou mais uns exemplares do seu zine-livro Endless Nights (olha está para venda!) e ainda este CD para eu curtir. E é verdade que se curte a ouvir esta banda de Garage norte-americano que não esconde nem na capa as influências: à esquerda o neto do Joey Ramone, à direita um sobrinho de um gajo dos Stooges (a t-shirt não engana) e no meio dois filhos de amigos dos Clash e Buzzcocks. Rock como só os americanos conseguem fazer especialmente se forem teenagers cheios de sangue na guelra. Porque é que tem circuítos electrícos por detrás da foto da banda? Porque raios o $hunga enviou isto e não outra banda? Não interessa, é para curtir...
Mike Diana : America : Live / Die (Divus; 2012)
Não veio dos EU mas UE esta caixa com dois livros que compilam 96% (?) do trabalho do norte-americano Mike Diana. O livro Live parece ter quase todo o seu trabalho de BD, o Die as pinturas e desenhos... Para quem não comprou trabalhos deste polémico autor entre 2008 e 2010 em Portugal (no Furacão Mitra, Espaço CHILI! e Artside) agora terá de pagar 10 vezes mais à galeria de arte Divus - que se representa num eixo entre Praga, Londres e Berlim - e que fez uma enorme exposição retrospectiva de Diana em Londres, no ano passado. Creio que até este será o critério de selecção dos trabalhos publicados neste(s) livro(s) pois embora haja (poucos) trabalhos em falta no que respeita à BD, no caso das pinturas parece estar mais esquartejado - daí que o livro Die seja mais um catálogo da exposição que uma compilação de toda a obra feita. De resto, o sadismo e horror deste mundo inventado pelos judeus e cristãos é denunciado por Diana com todos requintes de maldade sempre numa escalada incansável. Quando achamos que Diana não consegue ultrapassar a escatologia extrema, descobre sempre mais uma forma de nos impressionar, nem que isso signifique mais pénis, sangue, esperma, mutilações, ácidos, insectos, facas, drogas, vaginas, mutantes,...
Já agora para quem não leu as suas BDs na antologia Mutate & Survive (Chili Com Carne; 2001) e o seu livro a solo Sourball Prodigy (MMMNNNRRRG; 2002), livros editados em Portugal e actualmente esgotadíssimos (vi um exemplar do Sourball na loja Mundo Fantasma!), ainda podem apanhar uns clássicos nas CriCas Ilustradas, como aquela BD do casal de agarrados que fumam um bébé a pensarem que é crack... Um must!
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Em Dezembro de 2008, o polémico autor norte-americano Mike Diana visitou Lisboa durante o evento Furacão Mitra (na Interpress) e inaugurou não uma mas duas exposições! Ou seja, devido a problemas com a sua bagagem perdida, houve uma exposição improvisada e passados alguns dias houve a exposição “oficial”, a segunda versão da Super Fang!
O que apresentamos nesta exposição a inaugurar AMANHÃ, na Artside, às 17h, são os "restos mortais" que Diana deixou porque foi tão cheio de bonecos de bebés e livros/zines portugueses de volta para Nova Iorque que teve de deixar os seus trabalhos cá. São desenhos, pinturas e umas cabeças diabólicas que estarão em exposição pública até dia 10 de Abril.
Entretanto, o livro Sourball Prodigy esgotou – deixando a editora MMMNNNRRRG a comemorar os seus 10 anos com mais um triunfo entre muitos outros a acontecer este ano – mas ainda há muitas antologias da Chili Com Carne (Mutate & Survive, CriCas Ilustradas, Chili Bean) com bd’s de Diana.
Aproveitando o facto de que no próximo e quarto volume será publicada uma entrevista a Diana, aproveitamos para lançar o presente e terceiro volume de Antibothis (quinto volume da colecção THISCOvery CCChannel).
Após a excelente receptividade que a antologia literária Antibothis obteve a nivel global e a sua aceitação e interesse por parte de colectivos, escritores e musicos, não restava outra saida à Thisco e à Chili Com Carne que a de voltar ao ataque com o terceiro volume,desta feita com textos de John Zerzan, Adi Newton e Jane radion Newton, Randall Pyke, Franck Rynne, SocialFiction, Nygel Ayers, Joe Ambrose, Iona Miller, Thomas Lyttle, Ewen Chardronnet, Earth First e Chad Hensley. Como sempre com uma capa ilustrada por André Lemos e design de João Cunha. O CD que acompanha o livro conta com as participações de The Master Musicians of Joujouka, Phillipe Petit, Lydia Lunch, Checkpint 303, Kal Cahoone, Gintas k, Orbit Service, Anla Courtis, Stpo, Jane Radion Newton/Adi Newton, Zeitkratzer, Gjoll e Pietro Riparbelli.
...
Ainda sobre Diana: «Foi numa carta (privada) à minha pessoa, enquanto editor do livro Sourball Prodigy, que o autor de bd Janus (O Macaco Tozé) comentou que Diana só é um autor polémico porque «habita num país de imbecis». Provavelmente se habitasse na velha Europa não teria nem a metade das chatices. Mas não, no estado da Florida vive-se a "tolerância zero" - ou seja, nem uma sex-shop pode se instalar por aquelas bandas. E por isso mesmo que Diana nos anos 90, puto na altura, editor do zine Boiled Angel, teve dois azares terríveis com a Justiça norte americana, azares esses que o tornaram mundialmente famoso.
Diana nasceu em 1969 em Geneva, Nova Iorque, mas a sua família mudou-se para a Florida em 1979. Desde criança gostava de desenhar, na juventude teve acesso às reedições de bd’s de horror EC Comics e às ultra-violentas e escatológicas de S. Clay Wilson. Inspirações directas para Diana que começou a fazer zines de bd e sobre cultura “serial killer” em 1988. O primeiro chamava-se Angelfuck (inspirado pelos Misfits?), recebeu boas críticas no importante meta-zine Fact Sheet 5. Um ano mais tarde começa Boiled Angel e no número seis deste título começam os seus problemas. Tudo começou quando foi considerado suspeito de ser o "serial-killer" de Gainesville por causa da capa desse número - e à americana, era um dos 10 000 suspeitos que submeteram-se a testes de sangue,... mas mesmo "à americana", foi o que lhe aconteceu a seguir, entre 1993 e 1994, é acusado de produzir e distribuir “material” obsceno por causa dos números 7 e 8 do zine. As consequências foram várias: foi preso durante 48h numa cela de segurança máxima (no fim-de-semana para o segundo julgamento), teve uma sentença de 3 anos em liberdade condicional, não se podia aproximar de menores, teve de pagar multas, trabalhar em serviços comunitários, tirar uma carteira profissional em jornalismo, ser avaliado psicologicamente (às suas próprias custas!), não podia ter em casa material "obsceno" nem... poder desenhar mais!
A notícia espalhou-se pelo mundo fora, tendo chocado a comunidade internacional. Foi assim que conheci o caso, já em 1995, e escrevi a dar apoio ao autor. Comecei a publicar os seus trabalhos em Portugal, primeiro no zine Mesinha de Cabeceira (...).» - Marcos Farrajota in Umbigo
ainda sobre ANTIBOTHIS: são antologias literárias occulturais periódicas, apresentado textos e entrevistas de autores tanto desconhecidos como já com créditos firmados, na dissidência e disseminação alternativa de informação e propaganda literária, uma revolta em nome da imaginação em oposição a uma existência tóxica de baixo teor cognitivo.
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2008 foi um ano bom para a Chili Com Carne apesar das crises generalistas e a constante diminuição de apoios institucionais - por exemplo, a Câmara Municipal de Cascais desde 2005 acha que não deve apoiar os nossos livros porque os "Livros" como, aliás, toda a gente sabe, não trazem prestígio para uma vila. Só é pena que não tenham apercebido que graças ao Mutate & Survive, alguns autores participantes como o francês Jonathan Larabie e os italianos Mara Cerri, Alberto Corradi e Gianluca Costantini vieram a Portugal depois de conhecerem a antologia. Enfim... a cultura em Portugal continua a ser Fado, Futebol e uma Fátima.
Quem diria que em 2008 foi o ano que vendemos mais desde 2004? Esse ano foi quando a nossa distribuidora livreira, a Witloof, fechou a actividade e consequentemente foram feitas todas as continhas com as livrarias. Ora edições nossas estavam paradas naquilo que é o caótico mercado livreiro: contas com a distribuidora que nunca foram feitas, livros que pensavamos que não tinham vendido nada afinal tinham sido todos vendidos após as contagens de stock. Mas continuando, 2008 foi um bom ano... como foi possível?

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MMMNNNRRRG
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