Greetings from Cartoonia CAPA do Diário do Alentejo


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Em Outubro 2009 estivemos na Eslovénia e trouxemos exemplares de Greetings from Cartoonia, projecto organizado pelo colectivo Stripcore - responsáveis pela revista Stripburger - que teve o nosso apoio e de outros colectivos europeus de bd, numa gloriosa iniciativa turística pan-europeia.
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Labels: filipe abranches, livros
This week, Chili Com Carne will be in Ljubjana for Greetings from Cartoonia, organized by our dear Slovenian weird friends from Stripcore. Author Filipe Abranches will show his animated film "Pássaros / Birds" and editor Marcos Farrajota will participate in a debate about comics.
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Este ano a Chili Com Carne participa com a exposição + livro FUTURO PRIMITIVO, com a presença dos vários participantes no primeiro fim-de-semana do evento: Ana Menezes, Ana Ribeiro, Andreia Rechena, Daniel Seabra Lopes, David Campos, João Chambel, João Paulo Nóbrega, Joana Pires, Marcos Farrajota, Pedro Brito, Rafael Gouveia, Sílvia Rodrigues,...
Andrea Bruno estará presente no primeiro fim-de-semana, e que terá uma exposição de originais absolutamente impressionantes não fosse ele um dos autores mais interessantes de Itália e com quem já tivemos a honra de trabalhar em projectos como a antologia pan-europeia Greetings from Cartoonia (a respectiva exposição esteve patente no ano passado em Beja) e no Boring Europa.
...
A MMMNNNNRRRG irá lançar o livro Mundos em Segunda Mão do sérvio Aleksandar Zograf, que também estará presente e com exposição. Esta autor também tem passado pelas nossas edições: Crack On, Talento Local e Boring Europa. O livro é uma colectênea de crónicas do autora que publica desde 2003 no semanário Vreme, revista informativa independente que resistiu a embargos económicos, bombardeamentos da NATO e o regime de Milosevic.
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Enquanto o pessoal vai ver o mesmo de sempre à "BD Porcalhota", Filipe Abranches (a imagem ao lado é de sua autoria) e Marcos Farrajota vão a Ljubjana participar no projecto Greetings from Cartoonia de onde trarão exemplares do livro (co-edição com a Stripburger) para Portugal - por isso, se quiserem reservar já o podem fazer escrevendo para o nosso e-mail.
Participam da Eslovénia Kaja Avberšek, Jakob Klemenčič, Marko Kociper, Matej Lavrenčič, Gašper Rus e Matej Stupica (quase todos visitaram a Feira Laica e Bedeteca de Lisboa ou foram publicados pela Bedeteca de Lisboa, Chili Com Carne e Polvo), Bendik Kaltenborn (do grupo norueguês Dongery), Mateusz Skutnik (Polónia), Matei Branea (Roménia, do colectivo Hardcomics), o finlandês Jyrki Heikkinen (Salão Lisboa 2005), Andrea Bruno (do colectivo italiano Canicola) e o já referido Filipe Abranches. Mais detalhes sobre o livro para breve!
...
Alto! Afinal a Chili Com Carne este ano vai estar na BD Porcalhota!!!
- "Mas como se escreveram isto o ano passado?"
Porque a loja Central Comics convidou-nos a ter as nossas edições no seu stand...
- "Mas como se escreveram isto o ano passado?"
Realmente... temos uma espinha dorsal de uma vulgar cobra, não?
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Eis algumas "tele-fotos" da visita à Eslovénia, mais concretamente ao evento Greetings from Cartoonia que decorreu na semana passada em Ljubjana, que incluiu uma exposição (a trazer para Portugal), um livro e ainda serigrafias que foram assinadas pelos autores presentes no evento.

Na primeira foto, o impressor explica o que se deve assinar. Jakob Klemencic, Matej Stupica e Filipe Abranches (por detrás de Stupica, mal dá para vê-lo!) estão atentos ao contrário do Matei Branea - é sempre assim com os romenos ;)
Segunda foto com resultados serigrafados...

Uma apresentação sobre bd em Portugal descambou numa instalação de livros no chão cortesia do romeno!


Igor Hofbauer estava em Ljubjana e assim finalmente conheci-o pessoalmente. Espera-se a sua visita para 2010 a Portugal. Seguido do finlandês Jyrki Heikkinen (que já nos tinha visitado no Salão Lisboa 2005) e o romeno sempre "mucho cool"...
Uma "comic-jam" no Kinovdor, Jakob do lado esquerdo, Marko Kociper ao meio, seguido pela "boss" da Stripcore Katerina Mirovic, Kaja Avbersek (que nos visitou na última Feira Laica) e o norueguês Bendik Kaltenborn.

Os escritórios da Stripburger muito limpinhos... aliás, a Eslovénia NÃO é "Balcãs & Kusturica", o sangue germano/aústriaco corre nas veias e na cuidada organização.
Bom... esta será a estante menos organizada, e por acaso é a que tem as edições portuguesas e espanholas - um destino latino inevitável?
Esta semana deveremos disponibilizar os 30 exemplares do livro que vieram para Portugal, alguns números recentes da revista Stripburger e uns discos antigos da Stripcore (ver mais tarde no blogue OSAMAsecretLOVERS as resenhas críticas).
Sendo impossível escrever (ou dizer) "obrigado" em esloveno, fica em português para os organizadores, autores do projecto e em especial para a Embaixadora Maria do Carmo Magalhães, pessoa bastante afável e curiosa, que permitiu, via Instituto Camões, a nossa representação onde "acaba a Europa".
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A Chili Com Carne atacou este ano o programa do Festival de BD de Beja, não só com as suas edições à venda nas também porque organizou a vinda da exposição da antologia Greetings From Cartoonia.
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Acabou-se! O pior já passou!? Os 10 anos da indefinição? Os anos do início de Século em que não se passa nada? A década tenebrosa que até lhe dedicamos um livro-vade-retro-satananás?
Ao contrário ao estado geral de desânimo, a Chili Com Carne não acha que a nova década será pior que a anterior... mais baixo não podíamos ter chegado!!!
A cena da bd portuguesa nos últimos 8 anos foi deslizando pelo cano abaixo, mostrando que o sector privado era mesmo desastroso - ou seja que os "grandes editores" eram (e são) umas grandessíssimas bestas que conseguiram matar tudo o que havia ou que estava a ser construído. As pequenas ou médias editoras (simpaticamente apelidando desta forma) mostraram-se demasiado dependentes dos apoios da Bedeteca de Lisboa que teve um papel principal da renovação da bd no final dos anos 90 e princípios dos 00's. Hoje esta instituição é um edifício abandonado onde por acaso ainda deixam dois funcionários atenderem (da melhor forma que podem) os utentes interessados em bd. Depois de anos a defender bd e ilustração como nunca antes foi feito, esta Bedeteca merecia um destino menos triste, ou pelo menos reacções públicas dos autores e outros agentes que durante anos usufruíram dos seus serviços e esforços.
Todo o trabalho que a Bedeteca de Lisboa de mudar a imagem bedófila da bd parece até que foi razão para ser contra-atacada com mais força pelos “suspeitos do costume” que insistem em ter uma atitude restritiva da bd como um objecto de cultura Pop, em que toda e qualquer aproximação que não seja infantil ou infantiloíde é rejeitada. Mas o Ancien Régime cai a olhos vistos e o recente livro do Leonardo de Sá será o seu Canto do Cisne.
Que fique para trás as distribuidoras de livros que não pagam e provocam danos às editoras que se esforçam num mercado em autofagia capitalista, sem controlo e em colisão constante. O livro tornou-se num produto tão vulgar como um sapato - e nada pior que entrar numa loja de sapatos, acreditem! As lojas de referência fecham, cá e lá fora... como sustentar uma biodiversidade do livro num panorama assim?
Com dignidade e independência será a resposta para a anterior pergunta seja ela retórica ou não... é o que temos feito como Associação ou em projectos a solo dos nossos associados (Imprensa Canalha, MMMNNNRRG, etc…) ou em parcerias mais ou menos indisciplinadas cujo zénite é mostrado nas duas edições semestrais da Feira Laica.
A CCC ao longo da sua actividade nunca dependeu nada de nada para fazer o que já fez, estando contra tudo e todos. Raramente recebemos apoio de críticos, do mercado ou de instituições. Ocasionalmente tivemos apoios da Câmara Municipal de Cascais ou do Instituto Português de Juventude mas são tão parcos que não nos influenciam nas acções que tomamos, tanto que até existe uma certa censura da Câmara Municipal de Cascais em apoiar as nossas publicações porque elas cospem no Dalai Lama ou publicam o Mike Diana. Ainda assim insistimos em crescer a olhos vistos: livros a saírem com maior regularidade, livros que esgotam, livros que quase esgotam em menos de um ano, mais sócios interessados e interessantes, descoberta de novos talentos, o dobro e novo recorde de vendas – só não percebemos é porque continuamos com a conta bancária na mesma… é mesmo estranho!; participação ou criação de eventos nacionais e internacionais: O Último Fósforo, Festival Rescaldo, Feira(s) Laica(s), PEQUENO é bom, 10 anos da MMMNNNRRRG, Greetings From Cartoonia (no Festival de Beja), Crack, Festa do Cinema do INATEL, Even my mum can make a book, F.E.I.A., Alt Com, Not Tex Not Mex, Matanças… Do Texas à Turquia, portanto!
Isto já para não falar micro-epopeia inédita (pelo menos em Portugal) da Spreading Chili Sauce around Boring Europa, para mostrar que podemos ser mais bem recebidos do que no país de origem. O que não espanta muito quando o primeiro prémio sobre uma edição nossa – o Seitan Seitan Scum - alguma vez recebido foi em Itália no evento Slow Comics 2010. Embora, no início do ano passado, a MMMNNNRRRG tenha recebido um Prémio Titan...
Para mim, lançar o livro Talento Local – e concluindo a compilação das minhas bd's autobiográficas – é o mesmo do fecho de um ciclo maior. Poderá ser pretensioso adaptar esta “edição de intimidades” como um marco macroscópico mas estando “Deus morto”, a “História finalizada” e tudo mais, são as referências pessoais que marcam cada um de nós - também pode ser lido ao contrário, há um novo ciclo e eu também começo um como formiga bem-comportada do Universo. Para mim, 2011 e a nova década são nitidamente um novo ciclo a explorar – não serei o único a sentir isso, creio.
A tristeza eterna de ver horas de trabalho em pranchas de bd que ninguém quer saber – incluindo as ditas pessoas da “cena” – é deprimente. A luta de procurar alguém que nos dê atenção sempre teve de ser desviada para outros olhares menos quadrados, durante um período de tempo pensou-se que ia mudar essa perspectiva mas os agentes económicos insistiram em esmagar as conquistas, chegando a sacrificarem-se a eles próprios – em Portugal, todos gostam de estar juntos na merda.
Como dito anteriormente, continuou a haver resistentes e os resultados vão aparecendo pouco a pouco – a verdade é que quando o trabalho é bom ele não pode ser simplesmente apagado! Assim para a semana inaugura no Museu Colecção Berardo (no Centro Cultural de Belém), a exposição Tinta nos Nervos. Banda Desenhada Portuguesa comissariada pelo Pedro Moura, estando a exposição patente entre 10 de Janeiro a 27 de Março. O objectivo é divulgar uma bd de autor, uma bd que em Portugal tem origens nobres em Raphael Bordalo Pinheiro, continuando pelo regime fascista com Carlos Botelho, depois com o “reboot 25 de Abril” e a geração da revista Visão até aos dias de hoje. Haverá críticas dos sectores conservadores sobre a escolha de Moura, à qual defendemos a 100% - mesmo quando muitos autores não são do nosso gosto. É o mínimo de respeito que podemos ter porque sendo mais ingénuos ou menos ingénuos, todos eles fizeram algo para não deixar a bd sujeita a lugares-comuns e fórmulas gastas. Alguns até desistiram de fazer bd, alguns voltaram a fazer, outros foram fazendo de forma intermitente, mas esperamos que este lento reconhecimento institucional sirva de lição para todos nós.
Sendo o “dinheiro o nosso Deus”, muitos irão perguntar que ganharão os autores com esta exposição. Será a Vaidade o único proveito mais directo que se poderá retirar daqui? Se for, este pecadilho capital não fará mal a ninguém, numa área onde nunca houve proveitos financeiros ou sociais de relevância. Mas o tempo irá responder a tudo isto…
Vamos todos morrer! Que se lixem as redes sociais!
Por fim, um descortinar de que vai ser 2011 na CCC: vamos ter um novo livro de Rafael Dionísio e uma nova colecção, ambos para este primeiro trimestre. O melhor será para Maio em que lançaremos um livro e exposição, Futuro Primitivo, que será uma demonstração de força. Bom... pelo menos de força interna, porque tentaremos mostrar o trabalho de todos os nossos criativos – até dos músicos, colaborando numa banda sonora a compilar pela net-label You Are Not Stealing Records.
Já mete-nojo, a verborreia das “redes sociais” e as porras dos myspaces e facebooks, é muito útil para saber que a Zézinha vomitou de manhãzinha logo poderá ser engatada pelo grupo fetichista por grávidas-de-3-meses, ou que há 10 pessoas gostaram (polegares no ar!) deste “post” mas como sempre nada acontece para além de meia-dúzia de observações fúteis que só servem de observatório de comportamentos para empresas e controlo social - é o que as redes virtuais parecem, muito francamente, a substituição física da porteira do prédio! Antes da modinha, a Chili Com Carne foi criada para ser uma rede social que serve para trabalhar em conjunto – se a solidão é uma doença do século XXI, tentem fazer bd: uma das actividades mais solitárias do mundo!
O desafio assumidamente egoísta de meter todos os que são da Associação num livro é cheio de ratoeiras mas vamos tentar que resulte num projecto singular. A exposição está projectada para o Festival de BD de Beja seguindo para Roma, países escandinavos e somewhere in Texas.
Quando a exposição voltar pode ser que o país esteja diferente!
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É sempre um desatino quando alguém pergunta como se faz bd. É constragedor quando se vê nos manuais escolares ou noutras situações com aquela coisa do "primeiro escreve-se o argumento, depois planifica-se a página, blá-blá-blá". Basta lembrar exemplos de "escrita automática" como as bd's de Jucifer ou ainda o Paris Morreu em que começou com 6 páginas desenhadas por Pepedelrey em que depois é foi colocado texto pelo Nuno Duarte, para dar conta de que há 1001 maneiras de cozinhar a bd. Estes dois números da colecção Dystopia (Wormgod + Sociedade Sueca de BD; 2010) - da Suécia e dirigida por Mattias Elftorp que esteve na última Feira Laica - são exemplos da fuga dessas ideias fordianas de como fazer bd.
No primeiro caso, trata-se do finlandês Jyrki Heikkinen (Salão Lisboa 2005, Greetings from Cartoonia,...) que desenlaça uma estória passada num mundo pós-apocalíptico em que tudo se confunde: a falta de ética, mutantes e animais falantes, a morte sob o aspecto de uma caveira falante e um grupo de rastafaris, e uma promessa de New Age qualquer. O estilo gráfico solto de Jyrki bem como a composição irregular das páginas (em que as vinhetas certinhas são completamente abandonadas) devem-se à sua carreira como poeta (intercalada com a de autor de bd), em que sentimos que a bd não está a ser "desenhada" mas a ser "escrita". E quando digo escrita não é num processador de texto mas sim à "velha guarda", ou seja caneta ou lápis em folhas de apontamentos, logo sem arrumação e cheios de urgência. As bd's de Jyrki são um caderno de apontamentos à primeira vista mas com rigor gráfico e narrativo apurado. O que parece é que quando "passou a limpo" deixou a mesma composição de página tal quando a escreveu/ desenhou em esboço e só assim se explica porque o frenesi deste The Moonboy!
Zombies dos suecos Mattias Elftorp e Susanne Johansson foi feito primeiro como uma exposição durante o Alt Com, ou seja era uma enorme pintura sobre os mortos-vivos e que percorria as paredes todas de uma sala (no bar de uma sala de cinema) e para vê-la era necessário entrar com um foco de luz (na cabeça) porque a sala estava à escuras. Esta pintura entretanto foi fotografada, montada para o formato desta colecção (uma espécie de A5) e acrescentado um texto que resulta numa bd. Engenhoso, não?
Já não temos estes volumes mas ainda existem outros disponíveis.
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