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sábado, 17 de julho de 2010

Greetings from Cartoonia : The Essential Guide of the Land of Comics

Em Outubro 2009 estivemos na Eslovénia e trouxemos exemplares de Greetings from Cartoonia, projecto organizado pelo colectivo Stripcore - responsáveis pela revista Stripburger - que teve o nosso apoio e de outros colectivos europeus de bd, numa gloriosa iniciativa turística pan-europeia.


Um projecto bastante divertido em que cada autor teve de enviar e receber objectos (bizarros ou típicos ou nem por isso) do seu país para servirem de inspirações para as 12 bd's a preto e branco. Da Eslovénia participaram Kaja Avberšek, Jakob Klemencic, Marko Kociper, Matej Lavrencic, Gašper Rus e Matej Stupica (quase todos visitaram a Feira Laica ou foram publicados pela Bedeteca de Lisboa, Chili Com Carne e Polvo), Bendik Kaltenborn (do grupo norueguês Dongery), Mateusz Skutnik (Polónia), Matei Branea (Roménia, do colectivo Hardcomics), o finlandês Jyrki Heikkinen (Salão Lisboa 2005), Andrea Bruno (do colectivo italiano Canicola, que participou no Boring Europa e que recentemente esteve no Festival de Beja) e de Portugal e da Chili Com Carne, o Filipe Abranches
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Feedback: As edições especiais da Stripburger têm-se revelado objectos essenciais no traçar de um mapa europeu da banda desenhada. Sara Figueiredo Costa / Beco das Imagens O livro serve como diário de viagem, passaporte de brincadeira, e retrato dos imaginários em roda livre. Cria-se a ideia fantasma unificadora de todos estes diversos gestos, compõe-se uma família, ou aquela comunidade que Kant entendia ser a única possível entre os homens, a comunidade estética.... Pedro Moura / Ler BD ... obra seleccionada para a Bedeteca Ideal

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A exposição esteve patente no 6º Festival de BD de Beja (entre 29 de Maio a 13 de Junho de 2010) por isso quem esteve lá viu quem não esteve vê agora umas fotos manhosas aqui ou compra o grosso livro de 220 páginas (17x23,5 cm, capa a cores) à Stripcore porque já esgotamos os nossos exemplares.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Greetings from Cartoonia CAPA do Diário do Alentejo


A capa do Greetings from Cartoonia - cuja exposição encontra-se no Festival de Beja até dia 13 de Junho - foi capa do Diário do Alentejo! Um feito, portanto! Próximo passo seria ser capa do Público caso não fossem um periódico diletante da bd que só promove colecções nostálgicas e tradicionais.
Por fim, algumas fotos da exposição - na primeira podemos ver o autor esloveno Jakob Klemencic.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ccc@Greetings.from.Cartoonia

This week, Chili Com Carne will be in Ljubjana for Greetings from Cartoonia, organized by our dear Slovenian weird friends from Stripcore. Author Filipe Abranches will show his animated film "Pássaros / Birds" and editor Marcos Farrajota will participate in a debate about comics.
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about CHILI COM CARNE:
The Chili Com Carne association is a non-lucrative young artist's organization, who's functioning is established upon the free and spontaneous cooperation of its members. Since it's foundation in 1995, we have promoted and developed a series of events in the field of the arts, such as the organization of exhibitions and publications. We favour a line of action that privileges the independence of the artist, in the context of the diversity in form and content that shapes the contemporary cultural and artistic scene.


Since 2000, CCC is working mainly in edition:
1. Editing their members work in collective or individual books or zines. CCC publishes literature, comix, illustration and essays, in the following collections.
a) "Colecção CCC", dedicated to fragmented books, poetry, (anti)romance, comix (like the "Mutate & Survive" anthology that published 77 authors from 16 countries), illustration (like João Cabaço scretchbook)
b) "Mesinha de Cabeceira" ("bedside table" in English), mainly comics, a zine that exist since 1992 with 20 issues published in a permanent mutant change of formats, have published early Portuguese authors, infamous American Mike Diana and other international artists like dice industries (ger), Claudio Parentela (it), Tommi Musturi (fin), Aleksandar Opacic (ser),...
c) "Mercantologia", lost zine reprint collection, comics only until now...
d) "THISCOvery CCChannel", Occultural collection - essays, interview and fiction - non-comics - co-edited with Thisco electronic label, with contributions of Hakim Bey, Critical Art Ensemble, Aesthetic Meat Front, Boyd Rice... check antibothis.com, thisco.net
2. Supporting other members editorial projects in promotion and distribution like El Pep (the "B series" / Trash comics project of Pepedelrey), Imprensa Canalha (graphzines and illustration books run by José Feitor: imprensacanalhainternational.blogspot.com), MMMNNNRRG (Art Brut comix run by Marcos Farrajota: gentebruta.pt.vu), Opuntia Books (chap books directed by André Lemos: opuntia-books.blogspot.com), and other zines of our members
3. Promoting DIY ethos and pathos through our blog chilicomcarne.blogspot.com and co-organizing Feira Laica, a fair that unites the most important independent publishers in Portugal. Most of the time it homage the soviet she-dog blown in space but also the separation of the Church from the State - the first fair was made during the Christmas consumerism frenzy. feiralaica.com

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Filipe Abranches (1965, Lisbon) - Illustration and Comics author, with published works in several books, journals and media press, including the most reputed daily and weekly papers in Portugal (Público, Expresso), and France’s Le Monde. Finalist of Superior Degree in Cinema (2005–2006), B.A. in Cinema (with Editing as specialization; 1987-1990) and Attendance of Superior Degree in History (1984-1987) was the Beneficiary of the first Literary Creativity Grant in the field of Comics, by the Portuguese Ministry of Culture (1998). Lecturer of course in Comics for Ar.Co (School of Arts and Communication) since 2005. Is first Animation short film Pássaros (Animanostra, 2008) won a prize in IndieLisboa 2009 festival. A new one, "Sanguetinta" is being prepared. His most know books are "História de Lisboa" with A.H. de Oliveira Marques (1998/2000; Assírio & Alvim, Câmara Municipal de Lisboa) also available in French (Amok) and in Italian (Comma 22); "O diário de K" (2001; Polvo), adaptation of Raul Brandão novel; and his collaboration on "Lanza en Astillero - el caballero Don Quijote y otras sus tristes figuras" (2005, Junta de Castilla-La Mancha, Sins Entido) collective book, adaptation of Cervante's D. Quixote episodes. His work has been exhibited in various Comic Festivals in Portugal and Italy Komikazen, but also in some art galleries and DIY events like Feira Laica.
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Marcos Farrajota (1973, Lisboa) - Since 2000 works in Bedeteca de Lisboa – the Comics Library of Lisbon – as curator, teacher and editor. He’s also a comics author (with six books out, two as complete autobiographical author, other four as fiction writer with artists João Fazenda and Pepedelrey). Since 1992 publishes "Mesinha de Cabeceira" zine where he published other Portuguese and international authors like André Lemos or Mike Diana (USA). In 2000 he created the MMMNNNRRRG label that publishes outsider comix and illustrations but first, in 1995 he has the founder of the Chili Com Carne association.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Boring Europa ::: últimos 12 kilometros, digo, exemplares!!!

 

primeiro volume nova colecção da Chili Com Carne, LowCCCost, dedicada a livros de viagens
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de Ana Ribeiro, Joana Pires, Marcos Farrajota, Ricardo Martins 
e Sílvia Rodrigues


em Espanha, Itália, Eslovénia, Sérvia, Áustria, Alemanha e França
8000 km / 15 dias


sobre a tour europeia da Chili Com Carne realizada entre 1 e 15 de Setembro 2010 nas cidades de Valência, Bolonha, Ljubjana, Pancevo, Graz, Berlim, Poitiers e Vigo.


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participações especiais de Karol Pyrcik, Jorge Parras, Martin López Lam, Jakob Klemencic, Aleksandar Zograf, Simon Vuckovic, Vuk Palibrk, Christina Casnellie, Andrea Bruno, Igor Hofbauer, Edda Strobl, Helmut Kaplan, Pilas versus Nanvaz, e ainda com Gasper Rus, David Krancan, Matej de Cecco, Matej Lavrencic, Katie Woznicki, Letac, Boris Stanic e Johana Marcade nas comic jams feitas em Ljubljana e Pancevo.


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banda sonora gratuita em linha: "A Grande Explosão" de Ghuna X via Phonotactics


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128 p. 23 x 16,5 cm impressas a azul escuro, capa impressa a branco sobre cartolina Dali bluemarine 285 gr com badanas; ISBN: 978-989-8363-11-4

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últimos exemplares à venda no sítio da CCCFábrica Features, Matéria Prima, ZDB e Mundo Fantasma.

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sobre o livro: a tournê europeia Spreading Chili Com Carne Sauce in Boring Europa tinha como objectivo principal divulgar o trabalho da Associação e dos seus artistas. Até pode parecer um acto desesperado de querer mostrar "à força" o nosso trabalho mas, desde sempre, a CCC trabalhou com projectos e autores estrangeiros – Mutate & Survive, Mike Diana, Greetings from Cartoonia, MASSIVE, Festival Crack, etc... O problema é que quase nunca vemos estes nossos amigos, dada a solidão imposta pela nossa posição periférica. Fomos dizer "olá" ao pessoal amigo! E aos que só comunicávamos por correio! E, claro, conhecer malta nova! Fomos percorrer 8000 Km de Europa em 15 dias oferecendo um pacote completo de cultura underground portuguesa a quem nos recebesse: concertos de R- e Ghuna X, festa animada com o unDJ MMMNNNRRRG, exposição de impressões e serigrafias, e, claro, uma enorme selecção de zines, livros e discos independentes. Em troca queríamos apenas simples alojamento, comida (se fosse possível à organização) e dinheiro das entradas para os espectáculos. Se os punks e metaleiros fazem isto porque não podemos fazer a mesma coisa com livros? Get in the van!


Decidimos chamar a coisa de boring, pelo sim pelo não, porque vivemos numa uniformização cultural capitalista à escala global - como tão bem ironiza Jakob Klemencic algures no livro - em que as identidades nacionais ficaram reduzidas a meia dúzia de artefactos rurais e rituais anacrónicos prontos para serem vampirizados pelos comportamentos fotográficos dos “turistas = terroristas”.


Desde o início pensámos que só podia ser bom editar um livro com os desenhos dos viajantes - um relato on the road das pessoas com quem nos cruzámos, das cidades e dos países que visitámos, etc... Era impossível de falhar: seis pessoas a desenhar, seis livros de esboços fundidos num livro "oficial". Pura ingenuidade! A excitação de conduzir, o esforço físico de alguns trajectos, a desistência da Sílvia Rodrigues, logo ao terceiro dia, e a falta de confiança em desenhar da maior parte dos participantes deixou-nos apenas com UM caderno de esboços da Ana Ribeiro. Todas as outras participações tiveram de ser feitas à posteriori, complicando com os prazos pessoais e profissionais de quem gozou estas férias diferentes. Juntámos textos, BDs, desenhos “acabados” bem como “esboços” da Ana Ribeiro, Joana Pires, Marcos Farrajota, Ricardo Martins e Sílvia Rodrigues; e bds de autores estrangeiros que relatam a recepção da nossa “caravana” - Jorge Parras, Martin López Lam, Jakob Klemencic, Aleksandar Zograf, Vuk Palibrk e Christina Casnellie. Outros cederam-nos desenhos ou bds sobre viagens para enriquecer esta edição - Andrea Bruno, Igor Hofbauer, Edda Strobl, Helmut Kaplan, Pilas versus Nanvaz. Compilámos as melhores BDs-cadáver-esquisitos ou comic jams feitas em Ljubljana e Pancevo - são bds feitas numa sessão com várias pessoas em que cada um desenha uma vinheta continuando o trabalho dos anteriores perdendo-se sempre o controlo do avanço da “estória”.
Em "Lissabon", a Karol Pyrcik ficou a tomar conta das gatas do Marcos e da Joana, e a fazer um diário gráfico sobre a sua estadia, contrapondo as nossas visões, mas fez batota e produziu umas divertidas ilustrações sobre futilidades lisboetas e quotidianas.
Criámos um inovador “Frankenstein comix” ou uma Babel impressa? Em breve teremos reacções a este livro. Esperamos ter surpresas exteriores tão agradáveis como as que tivemos quando chegávamos aos sítios durante a digressão. 


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Apoios (tour e livro): GRRR Program + Centro Cultural de Pancevo, IPJ, MMMNNNRRRG e Neurotitan

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Historial: Realização da tour Spreading Chili Sauce around Boring Europa (1-15 Set) ... Lançamento 27 de Março na MapDesign (Lisboa) e 2 de Abril na Feira do Jeco (10 anos dos Maus Hábitos) ... referência no Gabinete de Crise ... Cabaz Underground (sorteio dia 3 de Abril nos Maus Hábitos) ... reportagem na Câmara Clara (RTP2) ...


Feedback : 
reacções de viajantes aqui 
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I love tour books about la merde de la europa / jes we can Igor Hofbauer 
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O nome dificilmente poderia ser mais sugestivo e paradoxal (...) Porque, por mais quilómetros que façamos (...) o Velho Continente é cada vez mais um corpo uno. Ainda assim, o que vem dentro das páginas (...) é tudo menos entediante. Muitas ilustrações, desenhos e BD, uma forte componente gráfica e um sem-número de diálogos impróprios para gente sem sentido de humor. Tudo a duas só cores, azul e branco. Rotas & Destinos 
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(...) espécie de périplo autoreflexivo na forma mista de diário/ reportagem sobre uma viagem por uma Europa de movimentos independentes, que se transforma numa espécie de mini-manifesto (é algo pomposo, mas adequado) sobre modos de pensar a arte, a vida, o mundo. Destaque aqui para o importante trabalho de Marcos Farrajota, que, com todas as suas limitações formais, tem aqui um papel crucial ao unir as diferentes contribuições e preencher espaços em branco, destacando-se ainda o seu olhar sobre as várias contra-culturas que o grupo vai encontrando na viagem, entre a extrema empatia/ admiração e o desprezo ácido (o episódio de Berlim é particularmente elucidativo). Sem este fio condutor o livro seria uma amálgama de acasos individuais, e não faria grande sentido. JL 
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(...) é um livro que deve tanto à mítica Torre de Babel como às auto-estradas europeias, misturando várias línguas e registos tão diversos (...) Surpreendentemente, o resultado é tão coerente como são caóticos os dias aqui retratados. Mais do que uma colagem de histórias e fragmentos, Boring Europa é um livro de viagens, uma aventura em 8000 quilómetros de estrada e, sobretudo, um contributo relevante para se pensar a Europa e as suas relações internas. Agora que a ajuda entre países (mais ou menos forçada) anda na boca de toda a gente, seis pessoas e uma carrinha dizem mais sobre as vias possíveis para o encontro e sobre a capacidade de nos conhecermos para lá das fronteiras do que todas as directrizes da União Europeia. Sara Figueiredo Costa in Ler 
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Hace casi un año tuve la oportunidad de presenciar una de las exposiciones más atrevidas y frescas de ilustración y cómic de todo el tiempo que llevo dedicado al mundo gráfico y a la autoedición. Acostumbrado a una corrección profesional y buen rollista, que muchas veces rosa el aburrimiento y mojigatería, que encuentro habitualmente en la gráfica convencional -en la prensa, en la calle y en las estanterías de las librerías-, la expo-guerrilla del colectivo portugués Chili Com Carne resultó ser un contundente puñetazo visual e ideológico que demostraba, con la práctica, otras maneras de entender la ilustración y el quehacer visual. La exposición duro sólo dos días y era la primera parada en el tour Spreading Chili Sauce around Boring Europe que llevó a los CCC por España, Serbia, Austria, Francia, Italia, Eslovenia y Alemania, en 15 días y cuyo diario de viaje, publicado bajo el título Boring Europa, cuenta el cómo, cuando, cuanto y por qué recorrer alrededor de 8000 km con una furgo cargada de fanzines, y puede servir como guía de lo que es la autogestión cultural. Martin López in Bólido de Fuego 
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Quase todas as histórias tocam, portanto, aspectos autobiográficos, referentes aos acontecimentos destas visitas, mas ao mesmo tempo são também testemunho de variadíssimas práticas alternativas. Não apenas da cultura (música, artes visuais, festas, feiras) mas também das práticas propriamente ditas. Ou seja, da angariação de fundos, da organização de eventos, na forma como se gere um fundo de maneio, nos modos como se criam alternativas ao(s) mercado(s) convencional(ais), como se recebem os convidados, da cozinha à dormida, e sem esquecer aspectos de turismo (...) E além disso, as jantaradas e conversas em torno de cervejas e cigarros, que levam a discussões breves mas que apontam a interessantes tomadas de posição face aos estereótipos, expectativas e jogos de projecção que o encontro de “nacionalidades” forçosamente fornece. São muitos os pormenores estranhos e curiosos deste livro, deste a sua forma de organização, à “sinalização” que identifica as autorias, até ao tal orçamento ou custos da aventura, e os dados dos espaços visitados, que poderia até funcionar como convite à visita dos leitores (...) Pedro Moura in Ler BD 
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Um livro on the road, desenhado durante e após o tour dos autores num registo quase sempre próximo do biográfico. Foram 8000 Km de Europa percorridos em 15 dias, a bordo de uma carrinha e com orçamento reduzido. Mais do que um pout-pourri colado à pressão do trabalho dos diferentes autores, existe nesta obra um vero fio condutor (no pun intended), graças a um excelente trabalho de editor. É também um importante testemunho da existência de alternativas: à edição, à distribuição, à venda, à performance, à BD, à música, à arte, ao entretenimento, à festa, à viagem, à estadia, à habitação, ao turismo, à amizade, ao conformismo. E paralelamente vai-se criando a evidência de que, enfastiante ou não, não existe uma mas sim várias Europas. Afinal, mais do que estereótipos nacionais, somos todos indivíduos. Bandas Desenhadas



 exemplos de páginas:

sábado, 29 de novembro de 2014

ccc@IV.Feira.Morta




Vamos estar lá, claro!
E Graças aos contactos internacionais da Chili Com Carne, finalmente a Feira Morta vai receber pela primeira vez uma série de autores / editores estrangeiros!!!

Nesta próxima edição marcada para 29 e 30 de Novembro outra vez nos Estúdios Adamastor, teremos três convidados, a saber: Michał Słomka, um dos responsáveis da editora polaca de BD Centrala (imagem) e organizador dos concursos internacionais de BD "Ligatura" e "Silence"; o francês BeauSoir que volta a Portugal depois de ter estado na primeira edição da Feira do Jeco (2011); e ainda Kaja Avberšek do colectivo esloveno Stripcore / revista Stripburger, com que participamos na antologia Greetings from Cartoonia.

Vai ser bom!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

PARIS XVI: CRUMB REGURGITADO



Goste-se ou não de admiti-lo, a história da banda desenhada tem sido marcada, em boa parte, pela discussão do seu estatuto artístico. Associada às tecnologias de reprodução em série e ao entretenimento das massas, tudo indica que a banda desenhada ainda não logrou libertar-se — ao contrário da fotografia e do cinema, acrescente-se — do estigma de uma certa menoridade estética. Prova disso é a retrospectiva da obra de Robert Crumb actualmente em exibição no Musée d’art moderne de la ville de Paris (no 16º Bairro), intitulada Crumb: De l’underground à la Genèse, comissariada por Sébastien Gokalp. Tamanha iniciativa poderia, em princípio, ser encarada como uma forma de contornar a ansiedade em torno deste problema, mas a verdade é que mais parece contribuir para prolongá-la. Já a primeira grande retrospectiva de Crumb, organizada em 2004 pelo Museu Ludwig, em Colónia, o manifestava abertamente através do seu título: Robert Crumb: Yeah, but Is It Art? Embora mais subtil, o título da presente exposição descreve um percurso das margens até ao centro do cânone ocidental igualmente evocativo do complexo de menoridade acima referido. Por outro lado, ainda antes de entrar na primeira sala, o visitante depara com um aviso explicando que as ilustrações e pranchas de Crumb foram essencialmente concebidas para serem impressas, pelo que muito do que aqui se mostra corresponde, na óptica do artista, a um estádio intermédio e incompleto da sua produção. Reencontramos aqui um velho imbróglio das exposições de banda desenhada (O que expor exactamente?), e que certamente tem dificultado a sua consagração pela via das artes plásticas.
Mas adiante, que o verdadeiro apreciador não se desmotiva por tão pouco. Ao longo de várias salas, é possível conhecer uma parte importante da obra de Robert Crumb, desde o início dos anos 1960 (as cartas ilustradas que ele enviou para Marty Pahls, os cartões postais humorísticos realizados para a empresa American Greetings, os desenhos relativos a uma viagem à Bulgária publicados na revista Help) até à actualidade (as mais de duzentas pranchas da sua adaptação do Livro do Génesis), sem esquecer as viagens alucinantes que marcaram o movimento hippie e underground de finais de sessenta (Zap Comix e afins) e a partida para o Sul de França, um quarto de século mais tarde (as histórias autobiográficas em conjunto com a sua mulher Aline, desenhos em toalhas de restaurante e outras curiosidades). Ao todo, mais de setecentas pranchas expostas, número que torna humanamente impossível a sua apreciação integral e que obriga o visitante a ir deixando coisas de parte, sacrificando enfim a sala dedicada ao Livro do Génesis, por demasiado fastidiosa, para consagrar mais tempo aos tablets contendo reproduções de cadernos de esboços transformados em livros (por exemplo, The Adventure of Long John Silver, de 1962). Por outro lado, a sala dedicada ao percurso musical de Crumb, nomeadamente os discos que gravou com os Cheap Suit Serenaders, fará pensar nas ligações íntimas mantidas por tantos autores de banda desenhada com a música popular. 


Acerca do processo de produção de Crumb, dos seus métodos e materiais, pouco se adianta — muito provavelmente por não haver muito para dizer, embora este seja um dos tópicos mais promissores para uma exposição de banda desenhada. Estamos, em todo o caso, em presença de um ilustrador compulsivo, que passou a vida a rabiscar em blocos, tendo desenvolvido um estilo elaborado e que, ao mesmo tempo, praticamente dispensa o esboço: os primeiros traços, impressivos e nervosos, são posteriormente confirmados através de tramas densas e contornos reforçados, ou então são corrigidos pela aplicação pontual de manchas de tinta correctora. O efeito final é bem conhecido e já foi suficientemente elogiado. Mas sobrevém, igualmente, uma impressão de limitação decorrente do apego a formatos relativamente pequenos e às canetas de tinta da china Croquill. Sob este prisma, é perceptível uma desproporção entre a extensão da obra exposta e a plasticidade da mesma.


Enquanto desenhador, Crumb afigura-se capaz de retratar convincentemente qualquer motivo, mas é clara a sua predilecção pela figura humana, que ele procura dissecar, por dentro e por fora. A frontalidade com que expõe as suas obsessões, os seus fantasmas, as suas fraquezas tem suscitado as mais diversas reacções. Trata-se de caricaturar as fobias e preconceitos que pontuam a experiência de uma identidade de género hegemónica, descrevendo aquilo que o poder (masculino) faz mas não diz que faz. Aqui ou ali, o jogo torna-se ambíguo. E, no geral, previsível. Bem mais surpreendente acaba por ser o seu trabalho de designer evidenciado em diversas capas de revistas, na colecção Heroes of the Blues, nos fanzines, nas cartas e, claro, nos diversos cadernos ilustrados. Acima de tudo, Crumb foi um artesão de brochuras — correspondendo estas ao estádio finalizado da sua produção e que, neste caso, fica fora do alcance, exposto por trás das vitrinas ou confinado ao ecrã dos tablets. À saída, aproveita-se para dar uma vista de olhos no catálogo, mas a extrema fidedignidade das reproduções que nos devolvem o amarelento do papel em que foram desenhadas certas pranchas ou ilustrações mais antigas põe de parte qualquer hipótese de compra. Mais vale reconsiderar The Complete Crumb Comics, da Fantagraphics.

sábado, 28 de maio de 2011

ccc@beja.2011



Este ano a Chili Com Carne participa com a exposição + livro FUTURO PRIMITIVO, com a presença dos vários participantes no primeiro fim-de-semana do evento: Ana Menezes, Ana Ribeiro, Andreia Rechena, Daniel Seabra Lopes, David Campos, João Chambel, João Paulo Nóbrega, Joana Pires, Marcos Farrajota, Pedro Brito, Rafael Gouveia, Sílvia Rodrigues,...

Andrea Bruno estará presente no primeiro fim-de-semana, e que terá uma exposição de originais absolutamente impressionantes não fosse ele um dos autores mais interessantes de Itália e com quem já tivemos a honra de trabalhar em projectos como a antologia pan-europeia Greetings from Cartoonia (a respectiva exposição esteve patente no ano passado em Beja) e no Boring Europa.
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A MMMNNNNRRRG irá lançar o livro Mundos em Segunda Mão do sérvio Aleksandar Zograf, que também estará presente e com exposição. Esta autor também tem passado pelas nossas edições: Crack On, Talento Local e Boring Europa. O livro é uma colectênea de crónicas do autora que publica desde 2003 no semanário Vreme, revista informativa independente que resistiu a embargos económicos, bombardeamentos da NATO e o regime de Milosevic.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Dossiê 2010 : Fanzines

Não sei se o sítio www.bedeteca.com terá futuro, para já é verdade que o habitual Dossiê anual do Estado na Nação da BD Portuguesa nem está funcionar mais... Como a papa já estava feita, vêm para aqui a publicação deste "relatório" sobre os Fanzines de BD de 2010. Podem (re)ler este outro texto que repete algumas coisas e acrescenta outras.

Talvez já tenha mostrado o optimismo no blogue da Chili Com Carne, numa onda de “Mensagem do Presidente para 2011”. Aqui a análise é retroactiva, menos ampla, mais focada e isenta mas os sintomas de optimismo sentem-se – por ter sido escrita pela mesma pessoa, claro está. Aliás, é preciso mesmo olhar para o passado, neste acaso, em 12 meses para perceber que aconteceu muita coisa, tanta que a cabeça ficou tão cheia e insensível que se esqueceu da actividade dinâmica. Foi bom rever o que aconteceu em 2010 ao fazer a pesquisa para este Dossiê.

Com a decadência das grandes estruturas comerciais e institucionais são os “pequenos” que suportam e criam novas estruturas. Este ano faço questão até de fazer uma listagem em vertical para mostrar a força da coisa.

Lista a) Começamos pelo básico! Continuaram a editar:
- Reject’zine (de Andreia Rechena)
- Opuntia Books
- Imprensa Canalha
- Gambuzine
- MMMNNNRRRG
- Associação Chili Com Carne
- El Pep
- Zona BD
- Le Sketch
- Plana Press
- Boletim CPBD
- Kingpin Books
- É Fartar Vilanagem! (de Alexandre Esgaio)
- autora Jucifer (Techno Allah)
- Pedranocharco
- Venham +5
- Toupeira Comix
- colecção Filme da minha vida
- autor Rudolfo (vários títulos)
- Tertúlia BD’zine
- Cleópatra (De Tiago Baptista)
- Znok (de Filipe Duarte)

Lista b) Regressaram:
- Polvo
- Kzine

Lista c) Agora sim, o importante (já explico). Apareceram novos projectos:
- Yoshi, o puto dragão (edição de autor e reedição profissional pela Raging Planet)
- Apupópapa
- Soft Porn Coloring Book
- B74
- Thou the Latrina spoken
- Sou daquelas (de Sílvia Rodrigues)
- Fígado da República (de José Smith)
- dois zines de David Campos
- dois zines de João Ortega
- Intro Espectro (de Tiago Araújo)

A Lista a) mostra uma continuidade de trabalho que insinua uma “profissionalização” dos projectos como é o caso da MMMNNNRRRG, El Pep, Zona BD, Plana Press e Kingpin Books – esta última nitidamente é uma casa comercial que coloca problemas em estar aqui a ser metida mas tendo em conta a pequena expressão no mercado faz sentido estar aqui.
No meio da lista a biblio-biodiversidade domina em objectos e objectivos: do carácter mais coleccionista do Boletim CPBD ao lúdico Le Sketch, do fetichismo dos Opuntias Books à necessidade de exteriorização artística de Andreia Rechena, do conteúdo programático da colecção Filme da minha vida (da Associação Ao Norte) ao institucional de Venham +5 (editado pela Bedeteca de Beja)... Há de tudo para todos neste universo de edição independente em que misturo aqui fanzines, zines, livros de autor, livros impressos em tipografia ou em digital, colecções organizadas, números únicos, etc… Ao acrescentarmos os debutantes da Lista c) ficamos ainda mais ricos: zine/CD contra o Papa, Manga Cosplay-Metal, pornografia para colorir ou bds de continuação a seguir (mesmo!) com atenção.
Duas notas para a lista b) a Polvo que em tempos foi uma editora “média” (para a “média portuguesa”) e detentora de um catálogo histórico, inclui-se nesta análise porque suspeito que o capital da empresa, as tiragens dos livros e a sua projecção comercial está reduzida actualmente a quase qualquer outra iniciativa privada de “edição independente”. O Kzine é um fanzine dedicado à Manga (bd japonesa comercial).
Como repararam a Lista c) além de aplicar novidades em termos de conteúdo também mostra pujança em quantidade, isto se comparamos em relação com os últimos anos – a queixa mais bem registada está no Dossiê de 2007.
Durante os últimos anos, os zines em papel desapareceram gradualmente – ou melhor perderam a força ou foram substituídos pela febre “graphzine”. Em 2010 num “zeitgeist” qualquer apareceram não só novos títulos e novos autores, em que modéstia à parte, deve-se juntar o esforço da antologia Destruição (Chili Com Carne) que reuniu 15 novos talentos da bd portuguesa. Esta lufada de ar fresco há muita que era esperada dada ao fim do ciclo produtivo da geração dos anos 90. A questão que se colocava era se a bd de autor tinha desaparecido de completo? Que não havia novas pessoas a criarem bd de autor?
Talvez até tenha acontecido isso mas estão aqui as novas raízes que esperamos ver florescer em 2011 e para a frente. Quem sabe talvez do panorama desolador dos últimos anos venha a dar frutos como aconteceu há 20 anos atrás quando só havia Meribérica-Liber, Jim Del Monaco e o Clube Português de BD.

Internacional:
+ do mesmo, isto é a Aldeia Global já é uma Cidade em que não estranha os estrangeiros que entram nos seus terrenos… Miguel Carneiro e Marco Mendes publicados na revista eslovena Stripburger (Mendes duas vezes!), André Lemos no Lazer Art’zine (Bélgica), no ZI-NE (Roménia), na antologia Gazeta (EUA) e provavelmente em muitos mais sítios mas que não conseguimos seguir todos; José Feitor, Marcos Farrajota, Pedro Zamith e Pepedelrey no calendário brasileiro Pindura 2011, vários autores da Chili Com Carne no zine espanhol Combate (Ediciones Valientes), Teresa Câmara Pestana na La Bouche du Monde (França) e ainda um livro de autor de Marta Monteiro pela Café Royal (Inglaterra). Também houve presenças em festivais internacionais como o Crack (Itália) e Alt Com (Suécia), para além de participação de André Lemos nas exposições “Leaf and Signal” e “Not Tex Not Mex #1” (ambas nos EUA). Seis criativos da Chili Com Carne fizeram uma “tour” pela Europa fora, iniciativa inédita que passou por Espanha, Itália, Eslovénia, Sérvia, Áustria, Alemanha e França. Estas “férias peculiares” irão gerar um livro de viagens até agora no prelo.
Mais autores estrangeiros das veias alternativas que visitaram Portugal: o esloveno Jakob Klemencic no Festival de BD de Beja com o projecto europeu Greetings from Cartoonia, o croata Igor Hofbauer para duas exposições de sucesso em Lisboa e Beja, o texano Nevada Hill para a Feira Laica de Verão, e o sueco Mattias Elftorp, o francês Albert Foolmoon e o espanhol Martin Lopez Lam na Feira Laica de Natal. E claro, ainda tivemos um ícone da bd alternativa, a Dame Darcy que passou por Beja e por várias datas nortenhas.

“Profissional”
Apareceram duas novas associações, a Oficina do Cego dedicada à arte de bem imprimir – tendo já lançado dois números do jornal homónimo – e a Tentáculo que se dedica à publicação da antologia Zona BD. São obviamente associações sem fins lucrativos mas que dão um cunho mais profissional e de continuidade a projectos de edição. São mesmo bem-vindas!
A MMMNNNRRRG comemorou 10 anos, uma longevidade a respeitar para o tipo de material que edita e pelo ódio que lhe é alvo pelos agentes da “cena”. Talvez por isso tenha ido para o Porto lançar o Pénis Assassino, trabalho Janus feito em 2001 mas que só em 2010 alguém teve os “tomates” para o editar. Aliás, para uma editora odiada até houve “amor” logo no início do ano quando lhe foi atribuído o Prémio Titan para o livro Já não há maçãs no Paraíso (2007) de Max Tilmann (Tiago Manuel).
A Chili Com Carne e a El Pep ganharam um prémio em Itália para melhor fanzine (3º prémio) com o Seitan Seitan Scum (Mesinha de Cabeceira #22) no evento Slow Comics. Só o Festival da Amadora é que o fenómeno da edição independente é que lhe passa ao lado, não admira que este ano tenha estado às moscas…

Exposições
Em compensação, apesar da filosofia “easy come, easy go” que afecta as galerias / lojas / espaços lisboetas, as exposições “O Último Fósforo” (colectiva internacional vinda da Estónia), Mike Diana (recriação da exposição de 2008) e Igor Hofbauer (cartazes) na Artside estiveram cheias. A galeria de artes urbanas já fechou entretanto… Ao contrário das galerias portuenses Dama Aflita (ilustração) e Mundo Fantasma (bd) que são estáveis e mantêm uma programação exemplar. Que durem todos os anos que quiserem! Voltando a Lisboa. Porque sou lisboeta e tenho sempre Esperança que esta cidade melhore, as lojas de música Matéria Prima e Trem Azul deram o ano passado os primeiros passos no sentido de terem patentes exposição gráficas nas suas instalações. Se fosse cristão até acendia duas velinhas…

Extras
Na falta de espaços para divulgação da edição independente, a Associação Chili com Carne promoveu várias sessões sobre o assunto na Casa da Achada. O PEQUENO é bom! tratou de lançamentos, discussões sobre zines, música e animação DIY. Acabou o verão e teve se retirar, talvez volte em 2011.
Nem tudo o que vem da ‘net é mau – pelo menos ao que diz respeito à bd – como se provou este ano quando Simples Alquimia entrou em linha em http://spiraltap.net/simplesalquimia, aplicando as teorias que Scott McCloud apresentou em Reinventing Comics (2000) sobre a expansão da forma narrativa da bd pelo espaço infinito das páginas Web. Demorou 10 anos até alguém fazer a coisa com o deve ser. Parabéns ao Diogo Barros.

É caso para escrever com orgulho e expectativa o clássico “(continua…)”.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Como se faz bd?


É sempre um desatino quando alguém pergunta como se faz bd. É constragedor quando se vê nos manuais escolares ou noutras situações com aquela coisa do "primeiro escreve-se o argumento, depois planifica-se a página, blá-blá-blá". Basta lembrar exemplos de "escrita automática" como as bd's de Jucifer ou ainda o Paris Morreu em que começou com 6 páginas desenhadas por Pepedelrey em que depois é foi colocado texto pelo Nuno Duarte, para dar conta de que há 1001 maneiras de cozinhar a bd. Estes dois números da colecção Dystopia (Wormgod + Sociedade Sueca de BD; 2010) - da Suécia e dirigida por Mattias Elftorp que esteve na última Feira Laica - são exemplos da fuga dessas ideias fordianas de como fazer bd.
No primeiro caso, trata-se do finlandês Jyrki Heikkinen (Salão Lisboa 2005, Greetings from Cartoonia,...) que desenlaça uma estória passada num mundo pós-apocalíptico em que tudo se confunde: a falta de ética, mutantes e animais falantes, a morte sob o aspecto de uma caveira falante e um grupo de rastafaris, e uma promessa de New Age qualquer. O estilo gráfico solto de Jyrki bem como a composição irregular das páginas (em que as vinhetas certinhas são completamente abandonadas) devem-se à sua carreira como poeta (intercalada com a de autor de bd), em que sentimos que a bd não está a ser "desenhada" mas a ser "escrita". E quando digo escrita não é num processador de texto mas sim à "velha guarda", ou seja caneta ou lápis em folhas de apontamentos, logo sem arrumação e cheios de urgência. As bd's de Jyrki são um caderno de apontamentos à primeira vista mas com rigor gráfico e narrativo apurado. O que parece é que quando "passou a limpo" deixou a mesma composição de página tal quando a escreveu/ desenhou em esboço e só assim se explica porque o frenesi deste The Moonboy!
Zombies dos suecos Mattias Elftorp e Susanne Johansson foi feito primeiro como uma exposição durante o Alt Com, ou seja era uma enorme pintura sobre os mortos-vivos e que percorria as paredes todas de uma sala (no bar de uma sala de cinema) e para vê-la era necessário entrar com um foco de luz (na cabeça) porque a sala estava à escuras. Esta pintura entretanto foi fotografada, montada para o formato desta colecção (uma espécie de A5) e acrescentado um texto que resulta numa bd. Engenhoso, não?

Já não temos estes volumes mas ainda existem outros disponíveis.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

BD em Portugal: Não é uma marcha, é um zig-zag!

Acabou-se! O pior já passou!? Os 10 anos da indefinição? Os anos do início de Século em que não se passa nada? A década tenebrosa que até lhe dedicamos um livro-vade-retro-satananás?

Ao contrário ao estado geral de desânimo, a Chili Com Carne não acha que a nova década será pior que a anterior... mais baixo não podíamos ter chegado!!!

A cena da bd portuguesa nos últimos 8 anos foi deslizando pelo cano abaixo, mostrando que o sector privado era mesmo desastroso - ou seja que os "grandes editores" eram (e são) umas grandessíssimas bestas que conseguiram matar tudo o que havia ou que estava a ser construído. As pequenas ou médias editoras (simpaticamente apelidando desta forma) mostraram-se demasiado dependentes dos apoios da Bedeteca de Lisboa que teve um papel principal da renovação da bd no final dos anos 90 e princípios dos 00's. Hoje esta instituição é um edifício abandonado onde por acaso ainda deixam dois funcionários atenderem (da melhor forma que podem) os utentes interessados em bd. Depois de anos a defender bd e ilustração como nunca antes foi feito, esta Bedeteca merecia um destino menos triste, ou pelo menos reacções públicas dos autores e outros agentes que durante anos usufruíram dos seus serviços e esforços.

Todo o trabalho que a Bedeteca de Lisboa de mudar a imagem bedófila da bd parece até que foi razão para ser contra-atacada com mais força pelos “suspeitos do costume” que insistem em ter uma atitude restritiva da bd como um objecto de cultura Pop, em que toda e qualquer aproximação que não seja infantil ou infantiloíde é rejeitada. Mas o Ancien Régime cai a olhos vistos e o recente livro do Leonardo de Sá será o seu Canto do Cisne.

Que fique para trás as distribuidoras de livros que não pagam e provocam danos às editoras que se esforçam num mercado em autofagia capitalista, sem controlo e em colisão constante. O livro tornou-se num produto tão vulgar como um sapato - e nada pior que entrar numa loja de sapatos, acreditem! As lojas de referência fecham, cá e lá fora... como sustentar uma biodiversidade do livro num panorama assim?

Com dignidade e independência será a resposta para a anterior pergunta seja ela retórica ou não... é o que temos feito como Associação ou em projectos a solo dos nossos associados (Imprensa Canalha, MMMNNNRRG, etc…) ou em parcerias mais ou menos indisciplinadas cujo zénite é mostrado nas duas edições semestrais da Feira Laica.

A CCC ao longo da sua actividade nunca dependeu nada de nada para fazer o que já fez, estando contra tudo e todos. Raramente recebemos apoio de críticos, do mercado ou de instituições. Ocasionalmente tivemos apoios da Câmara Municipal de Cascais ou do Instituto Português de Juventude mas são tão parcos que não nos influenciam nas acções que tomamos, tanto que até existe uma certa censura da Câmara Municipal de Cascais em apoiar as nossas publicações porque elas cospem no Dalai Lama ou publicam o Mike Diana. Ainda assim insistimos em crescer a olhos vistos: livros a saírem com maior regularidade, livros que esgotam, livros que quase esgotam em menos de um ano, mais sócios interessados e interessantes, descoberta de novos talentos, o dobro e novo recorde de vendas – só não percebemos é porque continuamos com a conta bancária na mesma… é mesmo estranho!; participação ou criação de eventos nacionais e internacionais: O Último Fósforo, Festival Rescaldo, Feira(s) Laica(s), PEQUENO é bom, 10 anos da MMMNNNRRRG, Greetings From Cartoonia (no Festival de Beja), Crack, Festa do Cinema do INATEL, Even my mum can make a book, F.E.I.A., Alt Com, Not Tex Not Mex, Matanças… Do Texas à Turquia, portanto!

Isto já para não falar micro-epopeia inédita (pelo menos em Portugal) da Spreading Chili Sauce around Boring Europa, para mostrar que podemos ser mais bem recebidos do que no país de origem. O que não espanta muito quando o primeiro prémio sobre uma edição nossa – o Seitan Seitan Scum - alguma vez recebido foi em Itália no evento Slow Comics 2010. Embora, no início do ano passado, a MMMNNNRRRG tenha recebido um Prémio Titan...

Para mim, lançar o livro Talento Local – e concluindo a compilação das minhas bd's autobiográficas – é o mesmo do fecho de um ciclo maior. Poderá ser pretensioso adaptar esta “edição de intimidades” como um marco macroscópico mas estando “Deus morto”, a “História finalizada” e tudo mais, são as referências pessoais que marcam cada um de nós - também pode ser lido ao contrário, há um novo ciclo e eu também começo um como formiga bem-comportada do Universo. Para mim, 2011 e a nova década são nitidamente um novo ciclo a explorar – não serei o único a sentir isso, creio.

A tristeza eterna de ver horas de trabalho em pranchas de bd que ninguém quer saber – incluindo as ditas pessoas da “cena” – é deprimente. A luta de procurar alguém que nos dê atenção sempre teve de ser desviada para outros olhares menos quadrados, durante um período de tempo pensou-se que ia mudar essa perspectiva mas os agentes económicos insistiram em esmagar as conquistas, chegando a sacrificarem-se a eles próprios – em Portugal, todos gostam de estar juntos na merda.

Como dito anteriormente, continuou a haver resistentes e os resultados vão aparecendo pouco a pouco – a verdade é que quando o trabalho é bom ele não pode ser simplesmente apagado! Assim para a semana inaugura no Museu Colecção Berardo (no Centro Cultural de Belém), a exposição Tinta nos Nervos. Banda Desenhada Portuguesa comissariada pelo Pedro Moura, estando a exposição patente entre 10 de Janeiro a 27 de Março. O objectivo é divulgar uma bd de autor, uma bd que em Portugal tem origens nobres em Raphael Bordalo Pinheiro, continuando pelo regime fascista com Carlos Botelho, depois com o “reboot 25 de Abril” e a geração da revista Visão até aos dias de hoje. Haverá críticas dos sectores conservadores sobre a escolha de Moura, à qual defendemos a 100% - mesmo quando muitos autores não são do nosso gosto. É o mínimo de respeito que podemos ter porque sendo mais ingénuos ou menos ingénuos, todos eles fizeram algo para não deixar a bd sujeita a lugares-comuns e fórmulas gastas. Alguns até desistiram de fazer bd, alguns voltaram a fazer, outros foram fazendo de forma intermitente, mas esperamos que este lento reconhecimento institucional sirva de lição para todos nós.

Sendo o “dinheiro o nosso Deus”, muitos irão perguntar que ganharão os autores com esta exposição. Será a Vaidade o único proveito mais directo que se poderá retirar daqui? Se for, este pecadilho capital não fará mal a ninguém, numa área onde nunca houve proveitos financeiros ou sociais de relevância. Mas o tempo irá responder a tudo isto…

Vamos todos morrer! Que se lixem as redes sociais!

Por fim, um descortinar de que vai ser 2011 na CCC: vamos ter um novo livro de Rafael Dionísio e uma nova colecção, ambos para este primeiro trimestre. O melhor será para Maio em que lançaremos um livro e exposição, Futuro Primitivo, que será uma demonstração de força. Bom... pelo menos de força interna, porque tentaremos mostrar o trabalho de todos os nossos criativos – até dos músicos, colaborando numa banda sonora a compilar pela net-label You Are Not Stealing Records.

Já mete-nojo, a verborreia das “redes sociais” e as porras dos myspaces e facebooks, é muito útil para saber que a Zézinha vomitou de manhãzinha logo poderá ser engatada pelo grupo fetichista por grávidas-de-3-meses, ou que há 10 pessoas gostaram (polegares no ar!) deste “post” mas como sempre nada acontece para além de meia-dúzia de observações fúteis que só servem de observatório de comportamentos para empresas e controlo social - é o que as redes virtuais parecem, muito francamente, a substituição física da porteira do prédio! Antes da modinha, a Chili Com Carne foi criada para ser uma rede social que serve para trabalhar em conjunto – se a solidão é uma doença do século XXI, tentem fazer bd: uma das actividades mais solitárias do mundo!

O desafio assumidamente egoísta de meter todos os que são da Associação num livro é cheio de ratoeiras mas vamos tentar que resulte num projecto singular. A exposição está projectada para o Festival de BD de Beja seguindo para Roma, países escandinavos e somewhere in Texas.

Quando a exposição voltar pode ser que o país esteja diferente!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Guerra estrangeira




Continuando o relato do Alt Com, ficam agora alguma divulgação de autores estrangeiros que por lá passaram exoticamente numa cidade que ainda há algumas semanas tinha um "serial-killer" a matar estrangeiros com armas de fogo.
Sobretudo havia muitos dinamarqueses - afinal em 20 minutos consegue-se apanhar um comboio Copenhaga para Mälmo que passa pelo meio do mar numa ponte. A cena dinamarquesa é tímida mas tem vindo a ser divulgado ao mundo através da revista sueca C'est Bon, e nota-se uma peculiar fusão entre o desenho realista e alguma experimentação.

E claro, mais experimentais e vizenhos, estavam lá os finlandeses. Alguns já conhecia como Tiitu Takalo, Tehrie Ekebom e Jyrki Heikkinen (que participou no Greetings from Cartoonia). Entretanto conheci outra autora, o que faz da Finlândia e da Suécia os países mais equalitários no que toca à criação bedéfila. Trata-se de Aino Sutinen que lançou o ano passado pela Asema, o livro Taksi Kurdistaniin : Reppumatkasarjakuvia Lähi-idästä, que trata da sua viagem solitária pela Túrquia, Síria, Iraque, Irão e Azerbaijão. Num simpático formato A5 com inclusão de algumas fotografias, Sutinen conta as duas (des)aventuras por aquelas terras de forma um tanto ou quanto "naíf" e distante não deixando de ser curiosa saber que uma mulher ocidental avançou por ali a fora.

O brasileiro Nik Neves estava presente com o seu trabalho Inútil (auto-edição), o zine Picabu (do seu colectivo Bestiário) e ainda com o Prego. O primeiro é um livro que colecciona trabalhos seus que se divide em dois tipos, um do tipo "mudo" e movimentado que podemos meter Chris Ware ao barulho e outro mais "retro-sud-américa" que podia lembrar algo de Hernandez bros. Bom tratamento gráfico do livro! A "questão brasileira" que se tem reflectido neste blogue emerge sempre mas ao encontrar mais um artista gráfico como Neves vamos juntando um massa de autores que se deslocam do "besteirol" e do humor para outros campos mais artísticos e experimentais mas sem nunca abandonar essa tradição "cartoonesca". É o caso do zine Picabu, regressado 17 anos depois do último número, mostra autores que se expressam, sem papas na língua, em vários estilos gráficos (do mais "podre" ao mais hiper-realista) mas que piscam sempre para a "sacanagem". Felizmente a maior parte das bd's tem piada q.b. e são bem feitas para não irritar.

Depois de estar uma tarde de Sábado toda na venda de livros, a um ritmo lento, houve festa à noite com várias bandas, que quase não vi e a que queria ver, os palestinianos Team Darg mais conhecidos por "Da Arabian Revolutionary Guys", perdi-os. Comprei o CD-R na onda de apoiar a causa - a banda encontra-se retida na Suécia porque perdeu os bilhetes de regresso (?).
O Hip-Hop tornou-se há muito tempo o género predilecto para recuperar a língua e origens musicais misturando com uma roupagem urbana. Tal como o Hip Hop português passou no final dos anos 90 como a única música urbana que cantava em português (enquanto meia-dúzia de parolos tentavam a internacionalização cantando em inglês), estes Team Darg cantam em árabe(-palestiniano?) que soa bem, com samples de música árabe que soam bem, e tudo isto podia soar a uma fabulosa bomba musical caso os tiques do Hip Hop & R'n'B e outras manhosices-lamechices não dessem sinal de vida, arruinando as músicas e o respeito pelos músicos. Em seis músicas consegue-se ouvir umas duas (ou três se formos menos exigentes) e felizmente, não sei árabe para ouvir o que eles dizem porque receio que no final se descubra que fossem mais umas tretas moralistas como acontece com o Hip Hop aborrecido pelo mundo fora (com raras e poucas excepções).

Alguns destes títulos podem ser adquiridos à CCC pelo e-mail ccc@chilicomcarne.com. Descontos de 20% para sócios.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Amor & Ódio


As edições deste ano do festival Crack fugiram um bocado ao habitual - e ainda bem, nada pior que a monotonia para sabotar a vida de um evento cultural. Assim ao contrário de outros anos em que a antologia Ponti que metia tudo ao molho, este ano decidiu dedicar-se exclusivamente a artistas dos Balcãs. Motivo para meter os outros trabalhos (de italianos e franceses) noutra colecção intitulada de Deriva (Forte Pressa). O primeiro título tem aspecto meio-retro de zine - por ser A5 e parecer "modesto" - intitulada HateLove Knots. "Hate Love" era o tema deste ano e as abordagens aqui são ecléticas como sempre. Estes são os "restos" que não entraram no Ponti deste ano, ainda bem que foram "recuperados" como os Irmãos Guedin, Craoman, Filosa, Yoshi... O segundo título é um monográfico de Valério Bindi, cabeça do festival, intitulado de Flashes : Climate of Hate em que o próprio escreve uma crónica do clima de Itália nos dias de hoje. É interessante o que se descobre de Itália através dele e é interessante a impressão em "violeta forte" deste livrinho agrafado de formato horizontal (mais conhecido de italiano, ironia editorial...). Resulta bem e mais uma vez tira-nos da rotina - desta vez do preto e branco...
Quanto ao "prato principal" HateLove : 3rd Ponti Comix Anthology (Komikaze + Forte Pressa) é um "best of" em inglês de quem conhece o Komikaze #6 e o Balkan Twilight. Não fossem os editores deste "Ponti" os mesmos das antologias referidas, a primeira da Croácia e a segunda da Sérvia, países de onde provém a maior parte dos autores à excepção do romeno Branea (que participou no Greetings from Cartoonia), Anna Ehrlemak (sueca que vive na Croácia), Goran Dacev (Macedónia), Jakob Klemencic (Eslovénia) e Nina Bunjevac (sérvia que vive no Canadá). Alguns nomes já são (ou começam a ser) conhecidos: Igor Hofbauer, Aleksandar Zograf, Aleksandar Opacic (que já participou num Mesinha de Cabeceira), Mr. Stocca, Wostok,... Na teoria o livro está com uma função de "split", ou seja, tem duas capas e estórias de "Amor" vão para um dos lados do livro, enquanto as estórias de "Ódio" vão para o outro. Os grafismos das Balcãs são tão negros que é difícil distinguir o que é o "amor" e o que é o "Ódio". De resto, muito do material deste volume são reedições de bd's das antologias acima referidas, agora traduzidas em inglês para chegar a mais pessoas suponho. Ainda assim, um bom trabalho e mais um feliz gesto de eterna generosidade do festival Crack!

terça-feira, 8 de junho de 2010

ccc@festival.de.beja.2010 ATÉ dia 13 de JUNHO!

A Chili Com Carne atacou este ano o programa do Festival de BD de Beja, não só com as suas edições à venda nas também porque organizou a vinda da exposição da antologia Greetings From Cartoonia

O esloveno Jakob Klemencic (Mesinha de Cabeceira Popular #200, Chili Bean) e Filipe Abranches foram os artistas presentes a representar o livro / exposição.
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A MMMNNNRRRG, que comemora este mês 10 anos de existência, por seu lado teve o croata Igor Hofbauer (do livro Prison Stories) como convidado e com uma exposição individual de bd. E por falar nisso, os associados João Fazenda e JCoelho também tem lá expos individuais!
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Até 13 de Junho vale bem a pensa ir a Beja! 
Go!
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Jakob Klemenčič (1968) é Historiador de Arte que desfruta de um calmo trabalho a "part-time" como foto-arquivista na Faculdade de Artes, em Ljubljana. Desenhou de forma mais ou menos séria bd entre 1993 e 1999 e depois outra vez entre 2003 e 2009. Nos dias de hoje, a sua actividade criativa que mais lhe dá mais prazer, segundo as suas palavras, é “impressão em boa e velha tecnologia”. Quando considerava-se como um autor de bd, a vida Jakob esteve bastante ligada com a Stripburger, revista que ajudou a sedimentar e onde publicou várias bd’s. As suas colaborações mais notórias estão publicadas nos dois volumes da antologia Stripburek (que passou pelo Salão Lisboa 2003), Honey talks – comics inspired by painted beehive panels (que visitou a Bedeteca de Lisboa em 2008 e que trouxe Jakob a Lisboa), Osmosa e XXX(Strip)burger. O seu projecto mais pessoal até hoje é Bratovščina sivega goloba (Forum Ljubljana, 2008), um livro de prosa ilustrado que inclui algumas bd’s, embora não possamos ignorar Anjos (Polvo, 2000), livro publicado apenas em Portugal e as participações na Quadrado e algumas antologias da Chili Com Carne.